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Candidatos à presidência das Federação trocam acusações
A "guerra" das rosas
Intensificam-se os ataques entre as duas candidaturas
à presidência da Federação Distrital do PS/Guarda. Júlio Santos acusou Fernando
Cabral de ser uma candidatura do aparelho do partido e de não passar de uma máscara de
António José Seguro, o ainda líder distrital. Fernando Cabral já reagiu e desafia o
seu opositor a apresentar provas das alegadas irregularidades que estarão a ser
cometidas.
A pouco menos de um mês das eleições para a
presidência da Federação Distrital do PS da Guarda, intensificam-se os ataques verbais
entre as duas candidaturas já assumidas publicamente. Na tarde da passada Segunda-feira,
Júlio Santos, presidente da câmara de Celorico da Beira, aproveitou a sessão de
apresentação do seu site de candidatura - www.juliosantos.com - para afirmar que não
tem dúvidas de que Fernando Cabral, actual governador civil, para além de ser «uma
aposta da aparelho do partido», não passa de uma "máscara" do ainda
presidente da Federação Distrital e actual deputado europeu. «Tudo aquilo que ele tem
sido na Guarda o deve a António José Seguro, portanto esta é mais uma forma de
demonstrar a sua dependência», frisou. Sem papas na língua, o autarca chega mesmo a
acusar a candidatura adversária de ter tentado «afugentar e atemorizar» os militantes
que querem apostar na mudança.
Depois de salientar que quem tem o poder parte em
vantagem, Júlio Santos considera que o aparelho partidário tudo tem feito para criar
dificuldades à sua candidatura. A começar pelo próprio regulamento eleitoral - já
disponível desde Abril - mas que só lhe foi facultado há poucos dias, bem como o facto
das eleições terem sido marcadas para 22 de Setembro, uma Sexta-feira. Na sua opinião,
«é uma tentativa de não levar as pessoas a votar, tendo o aparelho mais facilidade em
mobilizar os militantes». Por isso, defende que a escolha do sucessor de António José
Seguro na presidência da Federação Distrital deveria ocorrer num Sábado, «dia em que
as pessoas estariam muito mais disponíveis».
Sem pretender fazer «nenhuma acusação», o autarca
celoricense afirmou ainda que «o facto de [Fernando Cabral] ser governador civil já é
em si uma vantagem», não confirmando, contudo, se o seu opositor estaria a usar os meios
do Governo Civil para fazer a sua campanha eleitoral, uma acusação de que foi alvo o
representante do Governo no distrito de Braga. Júlio Santos apenas relembrou que a sede
está habitualmente fechada e que «os jornalistas são tão inteligentes» como ele para
se aperceberem da situação. Por último, o autarca anunciou que para os próximos dias
4, 5 e 6 de Setembro estão agendados debates no Hotel Turismo da Guarda, que visam
«discutir política séria». «Desde o tempo que cá estou que na Guarda não se discute
política, mas sim umas tricas sobre quem anda com quem e como é que as coisas se andam a
fazer para as pessoas terem acesso ao lugar», justificou.
Cabral desafia opositor a apresentar provas
Neste debates, que versam temas que vão desde a
dignificação da actividade política, passando pela agricultura e o papel dos autarcas
no futuro, não deverão contar com a presença do candidato da oposição. Fernando
Cabral já adiantou ao TB que esse debates fazem parte da campanha eleitoral de Júlio
Santos e, como tal, não tem que estar presente. Prefere guardar para o congresso o debate
das ideias e dos projectos para o partido. Sobre as acusações lançadas durante a
apresentação do site oficial do seu opositor, Fernando Cabral lamenta que Júlio Santos
ande a «fazer denúncias de irregularidades sem concretizar nada, o que já é habitual
nele». Para que a verdade venha ao de cima, desafiou-o a «dizer quais são as pessoas
que estão a ser ameaçadas para não lhe declararem o apoio nem integrarem a sua
candidatura». Depois de salientar que não admite que lhe façam «insinuações sobre
determinadas posturas», Fernando Cabral garante que não precisa de «utilizar a sede do
PS, nem as instalações do Governo Civil, para fazer campanha. Por não haver sede de
candidatura não se pode deduzir que se estão a utilizar estruturas da administração
pública». Sempre que é necessário reunir, o local escolhido é a sua casa ou a de
outros seus camaradas.
Fernando Cabral rejeita ainda que não passe de uma
marioneta nas mãos de António José Seguro e reafirma, mais uma vez, que está na
corrida eleitoral «por vontade própria e também em resposta ao apelo feito por vários
militantes». Recorda ainda a Júlio Santos que quando o agora eurodeputado chegou à
Guarda já ele era presidente da Concelhia do PS/Guarda. Por isso, caem por terra as
afirmações por ele proferidas de que tudo o que era o devia a António José Seguro.
Fernando Cabral esclareceu ainda que o regulamento
eleitoral são enviados pela sede nacional e que a marcação das eleições é da
responsabilidade da Comissão Organizadora do Congresso. Por isso, conclui, «todas estas
questões que têm vindo a lume só servem para criar factos políticos para justificar a
mais que previsível derrota política» de Júlio Santos.
Salientando que a eleições para a Federação diz
directamente respeito aos militantes, o candidato ao lugar até agora ocupado por António
José Seguro adiantou ao TB que pretende fazer a apresentação pública da sua moção de
orientação no próximo dia 7 de Setembro, dia em que termina o prazo para apresentação
de candidaturas à presidência da Federação, bem como a delegados ao congresso.
Fernando Cabral garante que a partir dessa altura e até ao dia 22 de Setembro,
deslocar-se-á a todos os locais do distrito para fazer a apresentação desse documento.
Gustavo Brás

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