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Editorial

"Rentrée" dos Políticos
Virgílio Mendes Ardérius

Virgílio Mendes Ardérius O neologismo «rentrée» importado do francês vai entrando na linguagem vulgar por culpa dos jornalistas e dos políticos, que por esta altura voltam ao palco da luta partidária. Todos escolhem um lugar ou a festa que facilitem o regresso à ribalta, procurando ganhar a vida visibilidade e despeitar as atenções da comunicação social e do povo eleitor.

Regressam de tez mais escura e um tanto anafadinhos, como convém, para enfrentar as duras lutas político-partidárias que parecem adivinhar. O secretário geral do partido no poder assume e responsabiliza-se pelas faltas do Governo, cometidas por «erro ou omissão». Atira para a Esquerda a responsabilidade de aprovar ou não o Orçamento do Estado em 2001 e a consequente instabilidade do país e a realização de eleições antecipadas, já que perdeu a esperança no apoio dos partidos de Centro/Direita. Fica no ar o fantasma de o país vir a ser governado no próximo ano através de duodécimos, com todas as consequências gravosas que daí advirão.

As pedras vão sendo colocadas no tabuleiro do jogo e cada partido procura tirar delas aumento de votos nas próximas eleições.

Francisco Louçã desafia Guterres para um «debate sobre a reforma fiscal antes do Orçamento de Estado» e uma actualização salarial acima da inflação.

Carlos Carvalhas defende que a mudança de caras nada resolve, «o que o país precisa é de uma mudança de políticas, tanto no domínio da segurança interna como na economia e até no sector agrícola e das pescas».

Durão Barroso em carta enviada ao primeiro-ministro exige medidas nas áreas da economia, segurança e droga e a sua discussão antes da apresentação das contas do Estado. Por seu lado, Paulo Portas, ambicioso e bom tribuno, quer ser governo e promete melhores condições de vida para o povo.

As juventudes, umas querem o referendo para a despenalização do consumo de drogas, outras pretendem abolir o Serviço Militar Obrigatório, outras ainda maiores bonificações nas taxas de juro no crédito à habitação. Além de outras que não sabem o querem.

Todos reconhecem que é preciso «um novo fôlego» ou «um ciclo novo», para tirar Portugal de um certo marasmo.

Tem razão Jorge Coelho, quando na festa de Campo Maior, envolvido em flores de papel, afirmou: «É hora de arregaçar as mangas e ir a combate para continuar a fazer de Portugal uma sociedade mais solidária e mais justa».

Este é o grande objectivo para o qual todos devemos colaborar embora por caminho e com propostas diferentes. Por cá, cidade e distrito, os nossos políticos, alguns vão-se divertindo nas ondas da NET e outros nem tanto.

 

 


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