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Grupo de fadistas, na Guarda, há mais de 20 anos
Fados e Guitarradas
Mais do que um género musical, o fado faz parte da
alma portuguesa. Na Guarda, há quem lhe entregue os tempos livres. É o caso de Artur
Conde, funcionário público e fadista fundador do Grupo de Fados da Guarda, que
surpreendentemente já existe na cidade há mais de vinte anos.
O fado da Guarda sempre esteve muito ligado a Coimbra, às
praxes e à boémia através do antigo Liceu da Guarda, um dos únicos a nível nacional a
adoptar o tradicional traje académico. «Chegaram a chamá-la: "a gémea"»,
explica Artur Conde, funcionário público e membro fundador do Grupo de Fados da Guarda.
Mas nem por isso este grupo se decidiu pelo fado de Coimbra, tendo optado pelo de Lisboa.
Este projecto, nascido há mais de vinte anos, teve uma
"origem singela". «Havia um tal de Rebelo que na altura ouviu falar de mim,
contactou-me e foi aí que nasceu o Grupo, comigo como vocalista».
Agora com 48 anos, Artur Conde conta que já desde os seus
13 anos que gosta de fados e guitarradas e foi por essa altura que começou a levar a
música mais a sério, quando animava festas e convívios com os amigos ou com os
familiares. Este autodidacta assumido diz que seguiu a escola empírica, a dos sentidos,
que o puxava para o fado e para o sentimento luso da saudade cantada.
Actualmente, o grupo é constituído por seis elementos:
António Pinto, guitarrista (reformado da GNR); Acácio Marujo, guitarrista (bancário);
José Coelho, voz (Professor de História); Emília Rosário, voz (enfermeira); Tânia
Patrícia, voz (estudante); e, como não poderia deixar de ser, Artur Conde que, para
além da viola fado, também dá a voz «sempre que é preciso». Curiosa não deixa de
ser a idade da mais jovem fadista, Tânia Patrícia, que tem menos de 15 anos e uma voz
«que a pode levar longe numa carreira musical», garante o fundador do grupo.
Religiosamente, a beber o fado
Num meio onde «lamentavelmente, o fado ou está esquecido
ou é mal amado», Artur Conde sente que «até é pecado gostar », o que considera
ridículo. «Acho que tem alguma conexão política», argumenta. Para este funcionário
público, o fado é poesia, profundo, triste e cheio de saudade e fatalidade. Contudo,
traduz como nenhum outro género musical o pulsar e o sentir do povo português. «O fado
é único.» Nas suas actuações, Artur Conde sente, várias vezes, «um arrepio na
espinha» quando o som levita no ar e surge perto do «sublime». Mesmo assim, o fadista
garante que ainda há público que «bebe religiosamente o fado», não raras vezes, as
suas actuações conseguem despertar as vozes do público. O que se torna então
gratificante para o grupo.
Mas o que é certo é que, apesar do grupo existir há
longos anos na cidade, Artur Conde garante que ainda são uns ilustres desconhecidos.
«Bem diz o ditado que "santos da casa não fazem milagres"». Com uma agenda
preenchida de espectáculos o grupo, sem pretender sair do amador, actuou a semana passada
num bar da cidade a convite da Associação de Jogos Tradicionais da Guarda, e, na passada
segunda-feira, foram convidados pela Câmara de Belmonte para actuar na primeira parte do
espectáculo do fadista Nuno da Câmara Pereira. «Uma responsabilidade acrescida, que
até agora não tivemos».
Susana Adaixo

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