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«Há coisas escondidas que têm de ser reveladas»O futuro da Rádio Altitude deu
mote a algumas intervenções proferidas durante o
almoço de Homenagem ao jornalista Emílio Aragonez. Na
altura, o jornalista da Altitude remeteu-se ao silêncio
e preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Passadas
as emoções decidiu dar a sua opinião. Aragonez espera
que a Altitude «não venha a cair» por questões
financeiras, porque se isso acontecer avisa: «estou
convencido que passados estes anos ainda posso pedir
contas e posso apresentar provas na barra do tribunal
para culpar o antigo director do Hospital de "lesa
património"». O jornalista acredita que ainda tem
uma palavra a dizer. «Na altura devida eu posso aparecer
com a bandeira na mão e dizer "alto lá"
porque o Altitude é um monumento da cidade. Por enquanto
deixo as coisas como estão, mas é provável que volte a
ser um activista ou um revolucionário, como já me
chamaram». Aragonez alerta que há «coisas escondidas»
que têm de ser ditas antes do processo do Altitude ser
desencadeado. «Até agora ninguém teve coragem de pôr
essas verdades cá fora; uns por conveniência, outros
para não criar ondas e eu por uma questão de
comodismo». Em jeito de aviso refere que «se cuidem as
pessoas que pensam no Altitude do pé para a mão».
Dois dias antes de ser
homenageado, Emílio Aragonez recebeu uma carta de
Martins Queirós, último director do Sanatório Sousa
Martins e presidente da Direcção do Centro Educacional
da Segurança Social do Centro (CERIS) - entidade
proprietária da Altitude - que lhe entregou a cópia do
«registo de nascimento da RA. Na missiva Martins
Queirós escreve: «procuro encontrar quem guarde estes
documentos e tenha capacidade para os defender e perante
a justiça, se for necessário.» Emílio Aragonez
entende esta entrega como uma «passagem de testemunho»
e encara-a com «responsabilidade». «Por isso digo que
posso voltar à liça quando for necessário».
Em relação ao futuro da
emissora, Aragonez referiu que «não gostaria de ver o
Altitude nas mãos de qualquer poder, porque obviamente
veria a liberdade cortada». Para o jornalista, o ideal
seria que a emissora ficasse em condições de sobreviver
sem necessidade de estar pendente de nenhuma
associação. «Admito que gostaria de ver a RA integrada
estatalmente, como antigamente foi veículado, como está
a RDP, que é um organismo de Estado mas que, no entanto,
faz as criticas aos governos que têm de ser feitas».
Segundo Aragonez isso já poderia ter sido feito há uns
anos atrás, se «houvesse boa vontade das pessoas».
«Refiro-me por exemplo, numa altura em que o Secretário
de Estado, Soares Louro, disse que havia hipótese de a
R.A ser integrada na RDP. Sei que houve algumas pressões
de pessoas ligadas ao Hospital, para que isso não
acontecesse. Talvez com o receio de lhe fugir o tapete».
De recordar que o
Ministério da Solidariedade e Segurança Social deu
trinta dias aos associados do CERIS para se manifestarem,
caso contrário seria dado como extinto. A Liga dos
Amigos do Hospital da Guarda protelou o processo de
extinção do CERIS, ao contestar junto do Centro de
Segurança Social do Centro, em Coimbra, o fim da
entidade proprietária da RA. Foi comunicada a
existência de muitos sócios, como é o caso de Martins
Queirós, Antunes Ferreira e de Elias Xastre. O facto
impede a extinção do Ceris e como tal obriga a nova
apreciação do processo, podendo ser activados outros
mecanismos de extinção que estão previstos no artº66
do Decreto-Lei nº 119/83, de 25 de Fevereiro.
E.G
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