23 Out 97 Terras da Beira
Semanário

















«Há coisas escondidas que têm de ser reveladas»

O futuro da Rádio Altitude deu mote a algumas intervenções proferidas durante o almoço de Homenagem ao jornalista Emílio Aragonez. Na altura, o jornalista da Altitude remeteu-se ao silêncio e preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Passadas as emoções decidiu dar a sua opinião. Aragonez espera que a Altitude «não venha a cair» por questões financeiras, porque se isso acontecer avisa: «estou convencido que passados estes anos ainda posso pedir contas e posso apresentar provas na barra do tribunal para culpar o antigo director do Hospital de "lesa património"». O jornalista acredita que ainda tem uma palavra a dizer. «Na altura devida eu posso aparecer com a bandeira na mão e dizer "alto lá" porque o Altitude é um monumento da cidade. Por enquanto deixo as coisas como estão, mas é provável que volte a ser um activista ou um revolucionário, como já me chamaram». Aragonez alerta que há «coisas escondidas» que têm de ser ditas antes do processo do Altitude ser desencadeado. «Até agora ninguém teve coragem de pôr essas verdades cá fora; uns por conveniência, outros para não criar ondas e eu por uma questão de comodismo». Em jeito de aviso refere que «se cuidem as pessoas que pensam no Altitude do pé para a mão».

Dois dias antes de ser homenageado, Emílio Aragonez recebeu uma carta de Martins Queirós, último director do Sanatório Sousa Martins e presidente da Direcção do Centro Educacional da Segurança Social do Centro (CERIS) - entidade proprietária da Altitude - que lhe entregou a cópia do «registo de nascimento da RA. Na missiva Martins Queirós escreve: «procuro encontrar quem guarde estes documentos e tenha capacidade para os defender e perante a justiça, se for necessário.» Emílio Aragonez entende esta entrega como uma «passagem de testemunho» e encara-a com «responsabilidade». «Por isso digo que posso voltar à liça quando for necessário».

Em relação ao futuro da emissora, Aragonez referiu que «não gostaria de ver o Altitude nas mãos de qualquer poder, porque obviamente veria a liberdade cortada». Para o jornalista, o ideal seria que a emissora ficasse em condições de sobreviver sem necessidade de estar pendente de nenhuma associação. «Admito que gostaria de ver a RA integrada estatalmente, como antigamente foi veículado, como está a RDP, que é um organismo de Estado mas que, no entanto, faz as criticas aos governos que têm de ser feitas». Segundo Aragonez isso já poderia ter sido feito há uns anos atrás, se «houvesse boa vontade das pessoas». «Refiro-me por exemplo, numa altura em que o Secretário de Estado, Soares Louro, disse que havia hipótese de a R.A ser integrada na RDP. Sei que houve algumas pressões de pessoas ligadas ao Hospital, para que isso não acontecesse. Talvez com o receio de lhe fugir o tapete».

De recordar que o Ministério da Solidariedade e Segurança Social deu trinta dias aos associados do CERIS para se manifestarem, caso contrário seria dado como extinto. A Liga dos Amigos do Hospital da Guarda protelou o processo de extinção do CERIS, ao contestar junto do Centro de Segurança Social do Centro, em Coimbra, o fim da entidade proprietária da RA. Foi comunicada a existência de muitos sócios, como é o caso de Martins Queirós, Antunes Ferreira e de Elias Xastre. O facto impede a extinção do Ceris e como tal obriga a nova apreciação do processo, podendo ser activados outros mecanismos de extinção que estão previstos no artº66 do Decreto-Lei nº 119/83, de 25 de Fevereiro.

E.G


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