23 Out 97 Terras da Beira
Semanário
















Editorial

Homenagem ao Jornalista
Virgílio Mendes Ardérius

A festa de homenagem ao jornalista Emílio Aragonez, que teve o seu momento alto na sessão solene, que teve lugar no Salão Nobre do Governo Civil no sábado passado, ultrapassou a pessoa concreta, para exaltar uma profissão sempre difícil e hoje até de alto risco.

Penso que a parte foi tomada pelo todo, até porque, foram evocados outros nomes e muitos outros poderiam ter sido referidos, sem diminuir ou ofuscar o valor do homenageado.

Alguém reparou que é a primeira vez que na Guarda um jornalista é louvado e exaltado em sessão pública pelo bom serviço prestado à cidade e à região.

Apesar da forte adesão a esta iniciativa por parte das forças vivas da cidade e distrito da Guarda, é obrigatório sublinhar que a iniciativa partiu de colegas mais novos, jornalistas de outros órgãos de comunicação social escrita e falada.

A cidade da Guarda tem uma forte tradição jornalística e ao longo do último século surgiram vários jornais que de uma forma mais ou menos aguerrida defenderam os interesses da região e os valores das nossas gentes.

Daqui sairam homens que se afirmaram a nível nacional na dura tarefa do Jornalismo, dos quais alguns se encontram ainda na pujança da vida.

Espero que alguém escreva essa história e traga ao de cima a riqueza jornalística do passado e do presente.

É de sublinhar em Emílio Aragonez a persistência na luta que já ultrapassou os quarenta anos. Jornalista polivalente e generalista, para além da colaboração em vários jornais, tornou-se sobretudo conhecido pelo seu trabalho na Rádio Altitude ao longo de décadas. Tornou-se referência especialmente para as camadas populares, até ao ponto, como foi humoristícamente lembrado no almoço de confraternização, haver pessoas que só compravam os rádios nas casas comerciais depois de se certificarem que captavam a sua voz, embora gravada préviamente em cassete pelos vendedores!

A sua universidade foi a vida e o empenhamento constante para servir uma causa, talvez em contraste com alguns que agora têm a universidade mas a quem falta o empenhamento a dedicação e o amor à causa jornalística.

Como outros sentiu pressões, discriminações, tentativas de manipulação, mas não se vendeu, manteve a verticalidade. Aí reside o valor do homem.

Antigos e actuais colegas de trabalho e de luta, especialmente nas últimas duas décadas, ali estivemos em atitude de solidariedade, disponivéis para defender uma voz, que se deseja independente, livre, popular e plural.

Ao jornalista concreto, agora homenageado e ao jornalista colectivo, do presente e do passado, aqui fica um justo louvor.


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