Editorial
Homenagem ao Jornalista
Virgílio Mendes Ardérius
A festa de homenagem ao
jornalista Emílio Aragonez, que teve o seu momento alto
na sessão solene, que teve lugar no Salão Nobre do
Governo Civil no sábado passado, ultrapassou a pessoa
concreta, para exaltar uma profissão sempre difícil e
hoje até de alto risco.
Penso que a parte foi
tomada pelo todo, até porque, foram evocados outros
nomes e muitos outros poderiam ter sido referidos, sem
diminuir ou ofuscar o valor do homenageado.
Alguém reparou que é a
primeira vez que na Guarda um jornalista é louvado e
exaltado em sessão pública pelo bom serviço prestado
à cidade e à região.
Apesar da forte adesão a
esta iniciativa por parte das forças vivas da cidade e
distrito da Guarda, é obrigatório sublinhar que a
iniciativa partiu de colegas mais novos, jornalistas de
outros órgãos de comunicação social escrita e falada.
A cidade da Guarda tem
uma forte tradição jornalística e ao longo do último
século surgiram vários jornais que de uma forma mais ou
menos aguerrida defenderam os interesses da região e os
valores das nossas gentes.
Daqui sairam homens que
se afirmaram a nível nacional na dura tarefa do
Jornalismo, dos quais alguns se encontram ainda na
pujança da vida.
Espero que alguém
escreva essa história e traga ao de cima a riqueza
jornalística do passado e do presente.
É de sublinhar em
Emílio Aragonez a persistência na luta que já
ultrapassou os quarenta anos. Jornalista polivalente e
generalista, para além da colaboração em vários
jornais, tornou-se sobretudo conhecido pelo seu trabalho
na Rádio Altitude ao longo de décadas. Tornou-se
referência especialmente para as camadas populares, até
ao ponto, como foi humoristícamente lembrado no almoço
de confraternização, haver pessoas que só compravam os
rádios nas casas comerciais depois de se certificarem
que captavam a sua voz, embora gravada préviamente em
cassete pelos vendedores!
A sua universidade foi a
vida e o empenhamento constante para servir uma causa,
talvez em contraste com alguns que agora têm a
universidade mas a quem falta o empenhamento a
dedicação e o amor à causa jornalística.
Como outros sentiu
pressões, discriminações, tentativas de manipulação,
mas não se vendeu, manteve a verticalidade. Aí reside o
valor do homem.
Antigos e actuais colegas
de trabalho e de luta, especialmente nas últimas duas
décadas, ali estivemos em atitude de solidariedade,
disponivéis para defender uma voz, que se deseja
independente, livre, popular e plural.
Ao jornalista concreto,
agora homenageado e ao jornalista colectivo, do presente
e do passado, aqui fica um justo louvor.
|