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«Semos amigos da boémia»
O espectáculo que o
grupo de música popular Fiarresgas deu no Auditório do
Instituto Português da Juventude, na última
quunta-feira, foi muito mais que um recuar no tempo das
gentes de Foz Côa, donde o grupo é natural. Foi uma
agradável cumplicidade com o público. Por outro lado, e
como já vem sendo hábito, o espectáculo foi
testemunhado por pouco mais de meia centena de
assistentes, que se renderam aos bem-dispostos
fiarresgas, que em linguagem fozcoense quer dizer
«rapazes solteirões, que já passaram a idade de casar,
amigos da boémia». E não era para menos. Aliados às
músicas, quase sempre com referências à sociedade
fozcoense, os desafios ao público, as histórias
divertidas da "Taleigada de Cantigas" que
executaram e do próprio grupo, foram uma constante que
agradou.
O espectáculo começou
com uma mistura de marchas de Foz Côa, fruto de uma
morosa recolha feita «de porta em porta», que nos
reportou à vida social dos anos quarenta da vila das
amendoeiras em flor. Depois, e durante mais de uma hora,
os doze fiarresgas deram a conhecer algumas das
actividades agrícolas mais importantes: a apanha da
azeitona e as vindimas. O resultado de «quem bebe muito
vinho», na qual o porta-voz do grupo não pôde deixar
de referir a qualidade do vinho fozcoense. A importância
da Ribeira do Côa, que «antes das gravuras era um
importante lugar de laser». A rivalidade entre os
moradores da Rua da Fraga e da Ladeira do Castelo, duas
das principais ruas de Foz Côa.
Um reportório onde não
pôde deixar de existir uma divertida música dedicada à
"pândega", assim como «assuntos mais
sérios» referidos em Receio, a única balada do grupo.
Por imposição do
público, participativo durante todo o espectáculo, os
Fiarresgas apresentaram mais de duas mãos cheias de
músicas que não constavam do espectáculo. E, para quem
não ensaia desde Maio - a maioria dos elementos são
jovens universitários, ou jovens formados, o que os
impossibilita de se deslocarem a Foz Côa para ensaiarem
- portaram-se bastante bem.
Um concerto a provar que
na nossa região ainda hà quem produza música popular
na verdadeira acepção da palavra. E como cantam os
Fiarresgas, «de alma e coração, "cantemos"
cantigas da terra para manter a tradição».
GM

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