







| Editorial
Recursos Humanos
Virgilio Ardérius
Mudar um regime através de uma revolução militar pode ser
tarefa de uma noite, transformar as mentalidades, efectuar uma
mudança cultural é trabalho de gerações.
Por essa razão, a opção da Educação e da Formação tem de ser
continuada e persistente. Já é lugar comum afirmar que a nossa
grande riqueza são as pessoas. E os portugueses têm
demonstrado ao longo dos séculos, possuir qualidades
extraordinárias, postas a render, muitas vezes, ao serviço e
desenvolvimento de outros países.
Sem ter que recuar muito no tempo, evocando a epopeia
marítima e lembrando os feitos lusitanos, basta lembrar o muito
que milhares e milhares de imigrantes contribuíram para o
desenvolvimento da Europa. Todavia, tendo em conta o
desenvolvimento acelerado das tecnologias e as novas exigências
em recursos humanos é preocupante a situação educativa e
cultural da população portuguesa.
Nas Opções do Plano para 1997 afirma-se que «é
significativamente elevado o nível de iliteracia (...) mesmo no que
se refere ao analfabetismo, erradicado na quase generalidade
dos países desenvolvidos, continua ainda a atingir mais de 10 por
cento dos portugueses com mais de 15 anos de idade». E o
quadro não é mais animador tendo em conta outros aspectos.
Assim, por exemplo, no grupo etário dos 25 aos 34 anos,
apenas 30 por cento dos portugueses possui, pelo menos, um
curso de nível secundário enquanto nos países da OCDE sobe
para 69. O mal começa logo no princípio da vida, uma vez que a
Educação Pré-Escolar para o nível etário dos 3-5 anos apenas
contempla 56 por cento das crianças.
E se dermos um salto para o Ensino Superior, a percentagem
dos portugueses entre os 24 e 35 anos com um curso superior é
apenas de 13 por cento, muito inferior à média da Comunidade
Europeia. E para a subida da percentagem muito tem contribuído
o Ensino Superior Particular e Cooperativo.
Tudo isto quer dizer que a aposta da Educação continua por
ganhar. As bases de um futuro de desenvolvimento económico,
social e cultural, ligadas à criação de emprego, competitividade e
solidariedade, têm de passar pela Educação e qualificação das
pessoas, pela valorização dos recursos humanos.
As opções políticas do Governo para mobilizar a sociedade civil
neste sentido, afirmam querer:
- Democratizar as oportunidades educativas
- Construir a qualidade
- Humanizar a escola.
Estas linhas de força bem merecem uma reflexão mais
aprofundada, que irá ficar para uma próxima oportunidade.
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