23 Jan 97   








 

 

 

Editorial

Recursos Humanos
Virgilio Ardérius

Mudar um regime através de uma revolução militar pode ser tarefa de uma noite, transformar as mentalidades, efectuar uma mudança cultural é trabalho de gerações.
Por essa razão, a opção da Educação e da Formação tem de ser continuada e persistente. Já é lugar comum afirmar que a nossa grande riqueza são as pessoas. E os portugueses têm demonstrado ao longo dos séculos, possuir qualidades extraordinárias, postas a render, muitas vezes, ao serviço e desenvolvimento de outros países.
Sem ter que recuar muito no tempo, evocando a epopeia marítima e lembrando os feitos lusitanos, basta lembrar o muito que milhares e milhares de imigrantes contribuíram para o desenvolvimento da Europa. Todavia, tendo em conta o desenvolvimento acelerado das tecnologias e as novas exigências em recursos humanos é preocupante a situação educativa e cultural da população portuguesa.
Nas Opções do Plano para 1997 afirma-se que «é significativamente elevado o nível de iliteracia (...) mesmo no que se refere ao analfabetismo, erradicado na quase generalidade dos países desenvolvidos, continua ainda a atingir mais de 10 por cento dos portugueses com mais de 15 anos de idade». E o quadro não é mais animador tendo em conta outros aspectos. Assim, por exemplo, no grupo etário dos 25 aos 34 anos, apenas 30 por cento dos portugueses possui, pelo menos, um curso de nível secundário enquanto nos países da OCDE sobe para 69. O mal começa logo no princípio da vida, uma vez que a Educação Pré-Escolar para o nível etário dos 3-5 anos apenas contempla 56 por cento das crianças.
E se dermos um salto para o Ensino Superior, a percentagem dos portugueses entre os 24 e 35 anos com um curso superior é apenas de 13 por cento, muito inferior à média da Comunidade Europeia. E para a subida da percentagem muito tem contribuído o Ensino Superior Particular e Cooperativo.
Tudo isto quer dizer que a aposta da Educação continua por ganhar. As bases de um futuro de desenvolvimento económico, social e cultural, ligadas à criação de emprego, competitividade e solidariedade, têm de passar pela Educação e qualificação das pessoas, pela valorização dos recursos humanos.
As opções políticas do Governo para mobilizar a sociedade civil neste sentido, afirmam querer:
- Democratizar as oportunidades educativas
- Construir a qualidade
- Humanizar a escola.

Estas linhas de força bem merecem uma reflexão mais aprofundada, que irá ficar para uma próxima oportunidade.