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Arte Sacra em madeira de freixo
Um «autodidacta»
Tem trabalhos espalhados pelos quatro cantos do mundo, de Espanha à China, dos Estados Unidos ao Brasil, a sua arte vai correndo países como seu o formão a madeira. Jorge Matos tem 31 anos e é escultor desde os 16. Natural da aldeia do Ferro, na margem esquerda do Zêzere, concelho da Covilhã, este jovem escultor, actualmente a residir em Belmonte, define-se como um «autodidacta de gema», que só em 1994, com um rasgo de coragem decidiu enfrentar a vocação e entregar-se à arte a tempo inteiro.
Trabalho? Tem-no de sobra. Ainda na semana passada entregou uma peça encomendada pela Câmara Municipal de Belmonte. Tratou-se de uma imagem da Nossa Senhora da Esperança, a padroeira de Belmonte, que, diz o povo, «ter sido a santa que acompanhou Pedro Álvares Cabral na sua viagem de descoberta do Brasil» e que a autarquia quis oferecer ao País irmão.
Apaixonado pela madeira de freixo, que, garante, ser « linda e também mais forte que qualquer outra matéria prima», Jorge Matos conta o sentimento de nostalgia e de dor que o envolve sempre que é chegada a hora de se despedir da obra feita. «Há sempre aquela peça de que se gosta mais, a preferida, custa muito desprendermo-nos dela». Ossos do ofício! É que a escultura é o único meio de subsistência deste artesão, pelo que a venda da sua obra é a incontornável solução para o seu sustento.
Começou por esculpir figuras históricas: D. Afonso Henriques, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Luís de Camões, foram algumas das personalidades imortalizadas nos seus trabalhos. Mais tarde, decidiu enveredar pela Arte Sacra, porque, para além de mais bonita, garante é também «mais rentável» que qualquer outra.
Pai de um menino há 15 meses, Jorge Matos acalenta a esperança de que, um dia mais tarde, o filho lhe siga os passos na arte sagrada de "dar vida" à madeira, a escultura. Até porque, sustenta, «Hoje em dia os trabalhos de Arte Sacra que se vêem nas igrejas já não são feitos à mão». Uma realidade que o escultor gostaria de ver mudada.
Susana Adaixo

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