
Ruínas romanas
A torre de Centum Cellas
Centum Cellas, à entrada do Colmeal da Torre, é o que resta de uma importante vila romana. Foi residência de um nobre romano com grande poder económico e influência que ali residia com a sua família e criados. Trata-se de um monumento de grande valor, cuja origem deu azo a inúmeras lendas populares.
Centum Cellas ou "torre", como também é chamado devido à sua forma turriforme, são os restos de uma vila romana do século I D.C. que se encontram na aldeia de Colmeal da Torre, a três quilómetros da vila de Belmonte: Uma zona rica em vestígios romanos e onde também se podem encontrar o templo de Nossa Sr.ª das Cabeças em Orjais, a villa da Quinta da Fórnea ou a cidade romana de Terlamonte, ainda por escavar.
Classificado como Monumento Nacional em 1977, foi alvo de escavações pela primeira vez nos finais dos anos 50, mas foi só com as escavações levadas a cabo entre 1993 e 1998 que se revelou a verdadeira história do Centum Cellas.
Descobriu-se que o monumento era apenas a parte urbana da vila, onde habitava uma família com grande poder económico. Nas imediações terão existido outras zonas: a parte rústica para os escravos e trabalhadores e a parte onde se situavam os armazéns, as adegas e celeiros. A actividade principal era a exploração mineira, nomeadamente a de estanho, conforme indicam alguns dos artefactos apresentados. Nestas escavações, sob a direcção da arqueóloga Helena Frade, encontraram-se restos de uma igreja e de um larário com seis aras decoradas e os restos de uma sétima. As aras eram usadas para a adoração das divindades romanas e uma delas, datada do século I, contém epígrafos referentes às deusas Vénus e Minerva. Todas as peças encontradas estão na posse do IPPAR em Coimbra.
O enigma
Centum Cellas foi durante muitos anos um dos mais intrigantes enigmas arqueológicos de Portugal. As mais variadas hipóteses eram colocadas acerca da sua data ou dos seus construtores e muitas adquiriam mesmo contornos de lendas.
Entre ela, dizia-se por exemplo, que teria sido a prisão onde teria sido exilado o Papa S. Cornélio, daí a torre também ser conhecida como Torre de S. Cornélio. Dizia-se também que era o que restava de um templo romano, do praetorium de um acampamento romano, de uma mansio ou, mais recentemente, de uma casa rica lusitana.
De cariz mais lendário ou popular, se diz que teria sido construída por uma mulher com um filho às costas, ou que nela estaria enterrado um bezerro em ouro. Infelizmente, as "investigações" realizadas por caçadores de tesouros um pouco por todo o monumento, além de terem provado o óbvio (não passa de uma lenda), serviram apenas para ajudar à degradação do monumento.
De facto, Centum Cellas traduzido à letra significa "cem divisões". Esta designação serve para atestar da outrora grandiosidade da obra que pela sua dimensão, terá impressionado a população local que acabou por lhe dar esse nome.
Classificado como Monumento Nacional pelo decreto-lei 129/77 de 29 de Setembro de 1977, foi pela primeira vez alvo de escavações em finais dos anos 50, mas só com as escavações levadas a cabo de 1993 a 1998, se começou definitivamente a dissipar a bruma de folclore que pairava sobre o monumento e se revelou a verdadeira história de Centum Cellas.

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