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Editorial

Exaltação da Cruz
Virgílio Mendes Ardérius

Virgílio Mendes Ardérius A cristandade vive o Triduo pascal voltada para Cristo, que em Quinta-feira Santa , antecipa a sua oferta e perpetua a sua presença no meio dos homens pela Eucaristia, nome voluntariamente pregado numa cruz em Sexta-feira Santa, e retoma uma vida gloriosa no Domingo da Ressurreição.

Sabemos que a cruz, por si mesma, não tem sentido, era até sinal de ignomínia. É absurda em si mesma, todavia, as primeiras comunidades cristãs, viram-na à luz da Ressurreição, tornando-a fonte de salvação e libertação.

Cruz e triunfo sobre a morte, sintetizam o Dom supremo de Deus à humanidade, a salvação, e a resposta maravilhosa do homem a Deus, na pessoa de Jesus Cristo, prova máxima da fidelidade ao projecto do Pai.

A cruz vista na perspectiva da ressurreição, obrigou os cristãos a mudar o seu pensamento sobre aquele libertador-salvador que tinha que vir, e tiveram que aceitá-lo como Deus quis, e não como lhes agradaria, um salvador na cruz.

Por essa razão os judeus continuam à espera do Messias, um salvador e libertador, com uma visão temporal e um triunfalismo à maneira dos homens.

A cruz tornou-se por isso um sinal e um caminho, indicando que todo o bem requer um esforço agónico, uma luta em cujo horizonte está sempre a luz da ressurreição.

É preciso lutar para que os bens de Deus cheguem a todos os homens. Esta "violência" constante na nossa vida, é marcada pela cruz.

A única possibilidade de vencer tantas opressões desumanas, que caracterizam o mundo em que vivemos, é aceitar e carregar com a cruz que essas opressões colocam sobre os nossos ombros. Só com essa polaridade será possível o triunfo sobre a opressão e manter viva a esperança.

A cruz olhada nesta perspectiva libertadora é já exaltação.

Nestes dias em que se evoca o «achamento do Brasil» não posso deixar de lembrar tal acontecimento. Esse feito ocorreu em tempo pascal.

Escrevia o cronista Pedro Vaz de Caminha ao rei D. Manuel a 21 de Abril de 1500: «Assim seguimos nosso caminho por este mar, de longo, até Terça-feira d'oitavas de Páscoa, que topámos alguns sinais de terra...».

No dia 22 continuava: «E à Quarta-feira seguinte, pela manhã, topámos aves, a que chamam fura-buchos. E neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra, isto é, primeiramente d'um grande monte, mui alto e redondo e d'outras terras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a terra de Vera Cruz.».

A cruz passava a assinalar aquela terra, que viria a adoptar mais tarde o nome de Brasil.

A colonização levou, a par de muitos valores, a opressão, que os índios ainda não esqueceram.

O sofrimento de muitos, porém, contribuiu para formar um grande povo, que alimenta a ideia de progresso e bem-estar para todas as suas gentes.

Aproveito para desejar ao Brasil e aos brasileiros, que fazem comunidade connosco e aqui trabalham, um futuro risonho.

Para todos os leitores amigos votos de uma Páscoa Feliz.

 


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