| 20 Abr 00 | ![]() |
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Exaltação da Cruz
Sabemos que a cruz, por si mesma, não tem sentido, era até sinal de ignomínia. É absurda em si mesma, todavia, as primeiras comunidades cristãs, viram-na à luz da Ressurreição, tornando-a fonte de salvação e libertação. Cruz e triunfo sobre a morte, sintetizam o Dom supremo de Deus à humanidade, a salvação, e a resposta maravilhosa do homem a Deus, na pessoa de Jesus Cristo, prova máxima da fidelidade ao projecto do Pai. A cruz vista na perspectiva da ressurreição, obrigou os cristãos a mudar o seu pensamento sobre aquele libertador-salvador que tinha que vir, e tiveram que aceitá-lo como Deus quis, e não como lhes agradaria, um salvador na cruz. Por essa razão os judeus continuam à espera do Messias, um salvador e libertador, com uma visão temporal e um triunfalismo à maneira dos homens. A cruz tornou-se por isso um sinal e um caminho, indicando que todo o bem requer um esforço agónico, uma luta em cujo horizonte está sempre a luz da ressurreição. É preciso lutar para que os bens de Deus cheguem a todos os homens. Esta "violência" constante na nossa vida, é marcada pela cruz. A única possibilidade de vencer tantas opressões desumanas, que caracterizam o mundo em que vivemos, é aceitar e carregar com a cruz que essas opressões colocam sobre os nossos ombros. Só com essa polaridade será possível o triunfo sobre a opressão e manter viva a esperança. A cruz olhada nesta perspectiva libertadora é já exaltação. Nestes dias em que se evoca o «achamento do Brasil» não posso deixar de lembrar tal acontecimento. Esse feito ocorreu em tempo pascal. Escrevia o cronista Pedro Vaz de Caminha ao rei D. Manuel a 21 de Abril de 1500: «Assim seguimos nosso caminho por este mar, de longo, até Terça-feira d'oitavas de Páscoa, que topámos alguns sinais de terra...». No dia 22 continuava: «E à Quarta-feira seguinte, pela manhã, topámos aves, a que chamam fura-buchos. E neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra, isto é, primeiramente d'um grande monte, mui alto e redondo e d'outras terras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a terra de Vera Cruz.». A cruz passava a assinalar aquela terra, que viria a adoptar mais tarde o nome de Brasil. A colonização levou, a par de muitos valores, a opressão, que os índios ainda não esqueceram. O sofrimento de muitos, porém, contribuiu para formar um grande povo, que alimenta a ideia de progresso e bem-estar para todas as suas gentes. Aproveito para desejar ao Brasil e aos brasileiros, que fazem comunidade connosco e aqui trabalham, um futuro risonho. Para todos os leitores amigos votos de uma Páscoa Feliz.
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