
Em Celorico continua a guerra dos sete anos
"O Moinho" da discórdia
Ao contrário do que foi decidido pelo Tribunal de
Celorico da Beira, as chaves da creche "O Moinho" ainda não foram entregues à
Associação de Melhoramentos. Tudo porque, na passada segunda feira, quando o Oficial de
Diligências se preparava para proceder à entrega, a creche estava fechada e não havia
chave.
Júlio Santos, presidente da Câmara Municipal,
reafirma que a autarquia é a legítima proprietária da creche e admite agora a
possibilidade da autarquia avançar com uma nova providência cautelar.
Apesar do juiz do Tribunal já ter deferido a providência
cautelar pedida pela Associação de Melhoramentos de Celorico da Beira para que lhe fosse
devolvida a creche o "Moinho", a chave do imóvel ainda não foi desta que foi
entregue à associação presidida por Faria de Almeida, ex-presidente da Câmara de
Celorico da Beira.
Às cinco da tarde em ponto de Segunda feira, tal como
estava previsto, o oficial de diligências do Tribunal de Celorico deslocou-se até à
creche "O Moínho" para devolver à associação a chave do imóvel. Só que,
para surpresa de todos, a creche encontrava-se já fechada, não havendo qualquer
funcionário no local para proceder à entrega da mesma.
Ao que o TB apurou, nesse mesmo dia a creche só terá
funcionado durante o período da manhã. Uma decisão tomada pela directora da creche que,
ao que parece, receou pela segurança das crianças que ali se encontravam. O encerramento
antecipado terá sido dado a conhecer ao coordenador da Área Educativa da Guarda, Joaquim
Rodrigues, através de um oficio enviado pela própria directora do "O Moinho".
Faria de Almeida nem sequer estranhou o desaparecimento da
chave, apontando desde logo o dedo acusador ao presidente da Câmara de Celorico, com quem
mantém quezílias há mais de sete anos. «Tudo é possível porque esse senhor tem
vivido uma situação que é de facto invulgar», referiu, observando ainda que noutros
tempos «qualquer uma das mil situações que esse senhor já criou, dava pelo menos uma
suspensão, quando não, perda de mandato».
Durante uma conferência de imprensa organizada à
própria da hora, Faria de Almeida voltou a reafirmar que o edifício é da associação
de melhoramentos, adiantando que, perante os novos contornos da história, seria «fácil
entrar, arrombando a porta», mas, salientou, entenderam não o fazer por não serem
«carroceiros».
Apesar de Faria de Almeida se mostrar sereno a aguardar
pelo desenrolar da situação, Seguro Pereira, advogado da associação, lembra que a lei
prevê o arrombamento do edifício e esclarece que a posse do edifício «nem sequer se
questiona, porque até hoje não houve decisão judicial que invalidasse as doações
feitas».
Uma opinião com a qual que o juiz titular do processo,
que solicitou a não divulgação do seu nome, parece concordar. Numa troca de impressões
com o TB, aquele magistrado admitiu que todas as decisões que possam ser tomadas pelo
Tribunal são sempre provisórias, enquanto o caso das famosas doações efectuadas em 93
não chegar às mãos do Tribunal Administrativo, a única entidade competente para
decidir.
O juiz adiantou ainda que a decisão agora tomada a favor
da associação de melhoramentos poderá ainda ser contestada pela Câmara de Celorico.
Para isso, basta que autarquia avance com recurso da decisão num prazo máximo de dez
dias, desde o momento que receba a notificação. Um documento que, segundo o magistrado,
já foi enviado à Câmara Municipal.
Júlio Santos contra-ataca
Na passada terça-feira, Júlio Santos veio reagir às
declarações de Faria de Almeida. Durante uma conferência de imprensa, o autarca de
Celorico voltou a frisar que «a Câmara é a única proprietária da creche "O
Moinho"». Esclarecendo que neste momento a creche «está cedida por protocolo ao
Ministério da Educação para lá funcionar o jardim de infância da rede pública»,
como de resto se verifica.
Garantiu que autarquia «não teve ainda conhecimento
oficial» da recente decisão do Tribunal e frisou desconhecer que a creche tivesse
encerrado durante a tarde prevista para entrega da chave à associação de melhoramentos.
O braço de ferro entre Júlio Santos e Faria de Almeida
promete assim, não ficar por aqui, já que o município «vai avançar com uma nova
providência cautelar no sentido de, seja quem for, inclusive a Associação de
Melhoramentos, se abstenha de prejudicar» a posse que autarquia diz ter da creche "O
Moinho". O autarca finaliza sublinhado que «perde a posse quem não a detenha por
mais de um ano».
Carla Pinheiro

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