18 Mar 99 Terras da Beira
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Editorial

Futuro comprometido
Virgílio Mendes Ardérius

Virgílio Mendes ArdériusCada Verão que passa, ficamos mais pobres. Só no ano passado, dizem os números da Direcção Geral de Florestas, arderam cerca de 110 mil hectares. A região do Douro e Minho, juntamente com as Beiras foram as zonas do país mais massacradas com os incêndios florestais. A Guarda, ganhou a dianteira com 22 mil hectares ardidos, tornando-se o distrito mais devastado.

No orçamento do Estado aumentaram as verbas para o combate aos incêndios e a prevenção, mas os resultados são pouco visíveis. Parece ter-se instalado uma verdadeira indústria do fogo perante a fatalidade que tem de haver incêndios para desenvolver um programa previamente estabelecido.

Temos de combater tal ideia. É importante a comemoração do Dia Mundial da Floresta, evocado a 19 de Março, para chamar a atenção ao apenas das crianças e jovens mas de toda a sociedade para proteger o ecossistema.

A desarborização põe em causa a própria sobrevivência do homem.

Ainda recordo o meu velho professor da escola primária dizer que «por cada árvore cortada é preciso plantar outra», na altura em que celebrávamos com alegria e esperança o Dia da Árvore.

Hoje, em vez de uma, é necessário plantar uma centena para repovoar as áreas ardidas.

A par de um trabalho sistemático nas Escolas acerca da importância da árvore na vida do homem, como fonte de saúde, conforto e riqueza, é urgente repensar a «gestão florestal sustentável».

A política seguida até agora, ainda não deu os resultados desejáveis. A inversão na aplicação dos milhões, destinando mais à prevenção, irá certamente tornar-se mais rentável. Temos verificado pessoalmente que o repovoamento florestal, arde pela segunda e terceira vez, por falta de limpeza, de ordenamento e vigilância. É um investimento perdido.

As novas políticas terão de passar por um melhor aproveitamento e aplicação das verbas na rentabilização da floresta, aos vários níveis, de forma que as populações se sintam envolvidas e beneficiárias de tal riqueza. Leis mais claras e exigentes deverão levar os proprietários, quer privados quer autárquicos, a prover à limpeza das matas, ainda que para tal tenha de haver apoios financeiros.

Deverão ser incentivados programas de iniciativas conducentes ao aproveitamento dos resíduos florestais para a produção da biomassa como fonte de energias renováveis.

As populações, mesmo as rurais, deixaram de queimar lenha para confeccionar a alimentação e até para o aquecimento preferem a botija do gás, por ser mais cómodo.

O mato e as giestas para fertelizar os campos foram substituídos por adubos.

Não admira por isso ver crescer por todo o lado os matagais, pasto propício ao fogo devorador.

Para novas situações, novas ideias, para bem da natureza e do próprio homem.


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