| 18 Mar 99 | ![]() |
|
Futuro comprometido
No orçamento do Estado aumentaram as verbas para o combate aos incêndios e a prevenção, mas os resultados são pouco visíveis. Parece ter-se instalado uma verdadeira indústria do fogo perante a fatalidade que tem de haver incêndios para desenvolver um programa previamente estabelecido. Temos de combater tal ideia. É importante a comemoração do Dia Mundial da Floresta, evocado a 19 de Março, para chamar a atenção ao apenas das crianças e jovens mas de toda a sociedade para proteger o ecossistema. A desarborização põe em causa a própria sobrevivência do homem. Ainda recordo o meu velho professor da escola primária dizer que «por cada árvore cortada é preciso plantar outra», na altura em que celebrávamos com alegria e esperança o Dia da Árvore. Hoje, em vez de uma, é necessário plantar uma centena para repovoar as áreas ardidas. A par de um trabalho sistemático nas Escolas acerca da importância da árvore na vida do homem, como fonte de saúde, conforto e riqueza, é urgente repensar a «gestão florestal sustentável». A política seguida até agora, ainda não deu os resultados desejáveis. A inversão na aplicação dos milhões, destinando mais à prevenção, irá certamente tornar-se mais rentável. Temos verificado pessoalmente que o repovoamento florestal, arde pela segunda e terceira vez, por falta de limpeza, de ordenamento e vigilância. É um investimento perdido. As novas políticas terão de passar por um melhor aproveitamento e aplicação das verbas na rentabilização da floresta, aos vários níveis, de forma que as populações se sintam envolvidas e beneficiárias de tal riqueza. Leis mais claras e exigentes deverão levar os proprietários, quer privados quer autárquicos, a prover à limpeza das matas, ainda que para tal tenha de haver apoios financeiros. Deverão ser incentivados programas de iniciativas conducentes ao aproveitamento dos resíduos florestais para a produção da biomassa como fonte de energias renováveis. As populações, mesmo as rurais, deixaram de queimar lenha para confeccionar a alimentação e até para o aquecimento preferem a botija do gás, por ser mais cómodo. O mato e as giestas para fertelizar os campos foram substituídos por adubos. Não admira por isso ver crescer por todo o lado os matagais, pasto propício ao fogo devorador. Para novas situações, novas ideias, para bem da natureza e do próprio homem. |