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Investigação criminal
Judiciária passo a passo
Como morreu?, de que morreu? e há quanto tempo?,
são algumas das perguntas a que os investigadores da Polícia Judiciária tentam dar
resposta sempre que aparece um cadáver em condições que levantam alguma dúvida quanto
às causas da morte. No entanto, a curiosidade mórbida do comum dos cidadãos, é muitas
das vezes um sério entrave na busca da verdade.
Gabriela Marujo
A investigação científica aplicada à criminalidade é
complexa e não pode ser feita por qualquer polícia. O Instituto Nacional de Polícia e
Ciências Criminais forma os Quadros de Investigação Criminal da Polícia Judiciária
(PJ), que representam um departamento especializado e treinado para actuar contra a
criminalidade, estando «qualquer agente apto para investigar um crime», afirma fonte da
PJ da Guarda. Sempre que aparece um cadáver em condições que possam levantar alguma
dúvida quanto à causas da morte, «imediatamente» uma equipa de investigadores se
desloca para o local, acompanhada de um perito que vai dar apoio técnico à
investigação na recolha de vestígios considerados importantes, explica a mesma fonte.
Regra geral, a investigação é feita do geral para o particular, mas pode acontecer o
inverso. «Tudo depende do local» e da «perspicácia do investigador», fundamenta,
acrescentando que «um pequeno pormenor que ao comum do cidadão nada diz, para o
investigador pode ter muita importância». Aliás, a curiosidade «mórbida» do comum do
cidadão torna-se, na maioria dos casos, um sério entrave à investigação. «Esta
curiosidade leva a que as pessoas se precipitem para o local. Toda a gente quer ver, toda
a gente quer mexer, e depois perdem-se vestígios que para um investigador podem ser de
extrema importância». São situações que acontecem «frequentemente», apesar do local
se encontrar delimitado proibindo o acesso a pessoas estranhas e a curiosos.
«Um cadáver aponta sempre para o culpado»
A existência de um simples cabelo, de uma mancha de
sangue, a ponta de um cigarro, o estado em que a roupa da vítima se encontra («se está
em desalinho ou não»), ou vestígios de violência, entre muitos outros indícios,
ajudam a chegar a conclusões e a determinar quem foi o autor do crime. Mas nem só os
vestígios encontrados no local pesam nas conclusões da investigação. «Tem que haver
sensibilidade própria», refere a fonte da PJ, adiantando que, é da observação feita
pelo investigador no local - daí a importância da sua preservação até à inspecção
judiciária - que se encontram respostas a muitas questões, nomeadamente a «existência
ou não de crime». Partindo do pressuposto de que «um cadáver aponta sempre para o
culpado», o investigador «estabelece um "diálogo" com a vítima na procura da
verdade», posteriormente confirmada ou não pela autópsia, que «não é mais que ler no
cadáver as razões e as causas da morte». Como morreu?, de que morreu?, e o que foi
utilizado?, são algumas das perguntas para as quais se encontram resposta. A autópsia é
feita pelos investigadores no local, que recolhem, «com cuidado e recorrendo a muitas
técnicas», os vestígios de forma a ficarem preservados, e que posteriormente remetem
para o Laboratório da Polícia Científica ou para os Institutos de Medicina Legal. Na
Guarda, a PJ recorre mais «à fotografia e às impressões digitais». Todos os exames
que envolvam uma «parte técnico-cientifíca, com recurso a reagentes químicos, ou a
técnicas mais sofisticadas, são pedidos, para os exemplos supra-citados.
Por norma, aos Institutos de Medicina Legal são-lhes
pedidos exames químico-toxicológicos, designadamente vísceras, fígado, conteúdos
estomacais e determinação de alcoolémias, enquanto que ao Laboratório da Polícia
Científica se recorre a exames de DNA e balística. «Quando há uma morte por arma de
fogo, existe sempre uma preocupação muito grande em encontrar cápsulas, projécteis e
armas, que depois vão ser objecto de divisão laboratorial», explica a fonte. Isto
porque, prossegue, uma marca que dispara um projéctil deixa impresso, na cápsula e no
projéctil, um cunho muito próprio. Assim como as impressões digitais, que são
«perenes e imutáveis», cada arma tem características específicas. Um dos pormenores
mais importantes numa morte por arma de fogo é a trajectória da bala, daí que é no
local que se vai determinar essa trajectória, saber se o tiro foi de cima para baixo ou
no sentido inverso, e se foi da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita,
tentando reconstruir tudo o que possa ter acontecido. Mesmo assim, é nos resultados da
autópsia que essas questões são respondidas com mais rigor.

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