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Ratos do queijo Limiano

O ano passado iniciou-se com uma dura luta entre Daniel Campelo, Presidente da Câmara de Ponte de Lima e o director da"Lacto Ibérica", Robert Schligensiepen. Luta acesa que este travou com rara violência. Logo garantiu que "sua multinacional não exerceria em caso algum qualquer pressão sobre qualquer pessoa", mas que tudo resolveria em função dos dados irrefutáveis de viabilidade económica". Acenava logo com uma quebra das vendas, entre 10 e 20 %, que levaria ao fim de 20 dos 80 postos de trabalho criados na fábrica de Vale de Cambra. Tinha contra ele o facto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ter declarado a caducidade da marca Limiano-Ponte de Lima (DN, 14/1/2000, pág. 27). Logo o Expresso nos informava que ele até mandava em António Guterres (http://www.expresso.pt/ed1422/v-gente.asp) e esta declaração do INPI seria rapidamente anulada por um secretário de estado qualquer.

Quando Daniel Campelo começou a sua greve de fome, Robert Schligensiepen escreveu a Almeida Santos para manifestar a sua indignação pelo facto do Parlamento servir de palco a estas «campanhas demagógicas e populistas» (http://www.expresso.pt/ed1426/e-breves.asp#e012004). Campelo terminou a sua greve de fome, mantida durante duas semanas e no mesmo dia em que o deputado popular deu por terminada a sua luta, o PS anunciou que iria inviabilizar a constituição de uma comissão de inquérito sobre o queijo Limiano (http://www.expresso.pt/ed1428/v-gente.asp).

Foi o que pude apurar na Internet e conferir quanto ao início do ano de 2000.

O PS colocava-se assim como travão a uma discussão nacional sobre a articulação entre o local e o global, permitindo a degradação da qualidade dos produtos regionais. Lançava este deputado num beco sem saída. Tudo parecia bem na integração de Portugal na globalização da economia. Um pateta qualquer declarava nas páginas do Expresso que tudo ia bem na ligação Swissair com a TAP (http://www.expresso.pt/ed1425/e-primeira.asp). Também a Lacto Ibérica tinha tudo controlado e é um caso de sucesso informático relatado em http://www.zdnet.pt/semana/casoemestudo/505/segredo1.shtml. Nada disto admira pois tem o apoio eficiente da EDS, uma empresa global, especialista na gestão estratégica da informação numa globalização eficaz (http://www.eds.com/portugal/pt_clients.shtml).

Para Guterres, é tudo queijo.

Foi como o fez aliás um seu brilhante patrício em 10 de Maio de 1907.

De facto, João Franco para resolver a crise do vinho do Porto, alargou a zona de produção a quase tudo o que era Trás-os-Montes. Para ele parecia tudo igual ao litro. Era o milagre da multiplicação do vinho segundo o direito coimbrão, revogando todas as leis da Economia. Claro que não defendeu coisa nenhuma. Definiu mal a zona por "inconcebível exagero" e protecção, que assim desta forma pateta queria dar. Tudo isto não durou dois anos pois o erro era demasiado (Lima1, 1940; pág. 33). Foi o resultado de em Coimbra terem passado sem saber este fraco estudante, um dos mais irrequietos e bulhentos do seu tempo, como nos diz Cabral (1925) na página 68.

Era o resultado da Pedagogia Empobrecida.

Agora para Guterres é tudo igual ao Queijo Limiano.

No final do ano, este presidente da Câmara já domesticado, seria extremamente útil ao PS. Serviria para fazer aprovar o orçamento sem qualquer discussão, que pusesse travão ao despesismo alucinante do PS, que tudo faz para manter em funcionamento as suas fundações e pagar a tempo e horas os jobs for the boys, que desequilibram o Orçamento. Era tudo isto necessário para continuar a alimentar uns rapazes e raparigas que, no entender sabedor de Almeida Santos, têm inveja dos pedintes.

Por estas e por outras, temos agora urânio empobrecido, uma TAP à deriva, enfim, uma crise total. Tudo mostra como um governo com os pés mal assentes no valor do local nos insere tragicamente mal num mundo que se globaliza.

Quando é que vai começar realmente a ver os problemas?

Referências:

Antonio Cabral - Tempos de Coimbra, Coimbra Editora, 1925.

José Joaquim da Costa Lima - O Vinho do Porto no Passado e no Presente, Duas palestras promovidas pelos "Estudos Portugueses" e realizadas a 9 e a 10 de Abril de 1940, no Palácio de Cristal, Edição do Instituto do Vinho do Porto, 1940.

1 José Joaquim da Costa Lima gostava muito de ditadores ou então gozava-os de fininho, chamava-lhe prestigioso estadista e arrojado Presidente do Conselho de El-Rei D. Carlos.

Aires Antunes Diniz


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