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Estação de caminho-de-ferro da Guarda
Passado e Futuro
Apresentado em Maio de 1999, com a presença do então o ministro do Equipamento, João Cravinho, o projecto da nova estação ferroviária da Guarda começa a sair do papel. Ainda que o espaço esteja transformado num verdadeiro estaleiro, são já visíveis as coberturas metálicas de uma das plataformas da Estação. Do velho edifício restam pouco mais do que as paredes e os serviços outrora ali instalados estão agora "disfarçados" e distribuídos por contentores.
E se é certo que a nova Estação promete dar um novo «rosto» àquela zona da cidade, também já é certo que a sua construção está a provocar alguns transtornos. Deixaram de existir lugares de estacionamento e os comerciantes queixam-se da falta de fregueses. Sem pôr em causa a necessidade de ser feitas as obras, os protestos são contra a forma como o processo está a ser conduzido e as condições proporcionadas, designadamente a quem naquela zona vive do comércio. Uma das reivindicações dos comerciantes era que fosse retirada a vedação do lado em que as obras estão praticamente concluídas de forma a que alguns automóveis já pudessem estacionar naquele local. Entendem que assim, não só eram beneficiados os comerciantes que se encontram no recinto das obras, cujos estabelecimentos já se encontravam no antigo edifício da Estação, como também seriam evitados os engarrafamentos na Rua D. João de Ruão.
«Estamos no "Big Brother"»
Do lado de lá da vedação, nos contentores cedidos pela REFER a situação não é melhor. Os comerciantes queixam-se que o negócio corre mal e as perspectivas de melhoras são poucas:«Quem tinha o hábito de vir todos os dias, deixou de vir porque não tem lugar para estacionar o carro». Há mesmo quem tenha investido várias centenas de contos na remodelação do espaço que lhe foi cedido pela REFER para que ficasse agradável e capaz de receber a clientela, e agora nada lhe garante que terá lugar no novo edifício da Estação. É que tudo será decidido através de concurso público. Para que «as coisas melhorassem», defendem os comerciantes bastava que retirassem a vedação, tal como fora prometido: «Disseram-nos que retiravam estas chapas assim que ficasse concluída a primeira fase, mas até agira nada». A sensação para estas pessoas que convivem diariamente com as obras, seja de um lado ou do outro, é de que estão «engaioladas», comparam mesmo a situação ao «Big Brother».
No dia em que o TB se deslocou ao local, na última Sexta-feira, as obras eram também alvo de contestação por parte dos taxistas. Curiosamente, na Segunda-feira foram aceites as suas reivindicações e passava unicamente por autorização para estacionar em torno do Jardim, em vez de estarem na Rua D. João de Ruão o que os obrigava a dar uma volta maior sempre que fossem fazer um serviço à Guarda, já que aquela artéria tem apenas sentido ascendente. Dois dias antes de lhes ter sido dada a autorização, o responsável da REFER pela fiscalização das obras da nova Estação, que apenas se quis identificar como Castanheira, dizia, contrariamente aos que os taxistas afirmavam, que o local onde se encontravam tinha sido escolhido pelos eles. Em relação às queixas dos comerciantes, o responsável da REFER diz que «é normal» que quando se está em obras haja alguns transtornos, mas que esse desconforto será posteriormente compensado quando a Estação «uma das melhores a nível europeu» estiver concluída. O fiscal escusou-se a fornecer o projecto da futura Estação argumentado que quer «fazer uma surpresa à Guarda».
O mistério das pedras
Para um edifício que vai ser totalmente demolido, o cuidado com que estão a ser retiradas algumas pedras tem suscitado alguma estranheza à população daquela zona que observa o desenrolar das obras. De resto, o TB testemunhou a retirada de uma das pedras da parte superior do edifício, com o auxílio de uma grua. Instado sobre o assunto, o responsável da REFER escusou-se a esclarecer o destino das pedras, justificando apenas que «estava ali uma obra de arte e que era mal empregado ir para um lameiro» e que as peças «estão a ser cedidas a quem precisa delas». «Posso ceder aquilo que eu entender, desde que não seja com outros interesses e que não as vendas», sublinha. Posteriormente, viria a afirmar que «todo o material retirado é da responsabilidade da REFER».
As obras decorrem com um atraso de dois meses e segundo as perspectivas mais optimistas a nova Estação estará pronta em Novembro. O novo edifício, elaborado pela empresa Nuno Leónidas -Arquitectos associados conta com uma área aproximada de 1400 metros quadrados, com sala de espera, bilheteiras e informação. Aí deverão funcionar também as áreas de conservação e controlo da circulação da estação. A REFER tem ainda previsto um interface rodo/ferroviário, onde será possível ao passageiro ter acesso a autocarros e a taxis. A nova estação terá cerca de 40 lugares de estacionamento para ligeiros, sendo que só poderá ser utilizado para passageiros que queiram deixar o carro e viajar.
EG

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