14 Jan 99 Terras da Beira
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Editorial

Coesão Social
Virgílio Mendes Ardérius

Virgílio Mendes ArdériusPodemos afirmar, sem margem para dúvidas, que a sociedade neste final de milénio está doente.

Se por um lado houve aumento de riqueza e um acentuado progresso tecnológico, por outro vemos aumentar o número das pessoas marginalizadas. A competitividade e a produção por preços cada vez mais baixos, atirou para desemprego milhões de pessoas e dificultou o ingresso no mundo do trabalho das camadas jovens.

Surgiram novas formas de pobreza e de exclusão da sociedade.

A juntar ao desemprego vêm os fundamentalismos, a marginalização, as drogas, o desmembrar das famílias, as guerras étnicas, os refugiados, os estropiados das guerras.

Este fenómeno alastra pelo mundo inteiro, incluindo a Europa. Foi construída a União Económica e Monetária e são agora dados alguns passos na união social, embora tímidos e morosos.

A ideia da interdependência económica e social tem custado a vingar.

Ao enriquecimento e fortalecimento da moeda única, o euro, não tem correspondido a melhoria uniforme do nível de vida. Pelo contrário tem aumentado o fosso entre os ricos e os pobres criando fissuras no tecido social, provocando conflitos, rupturas e um clima propício à revolta.

Certamente por essas razões os Governos da União têm vindo a lançar iniciativas para relançar a Europa social.

Parte da riqueza criada tem de reverter a favor de medidas que contribuam para o bem-estar de todos os cidadãos, a sua inserção activa na sociedade e a redução das disparidades.

Por essa razão «o combate à pobreza e à exclusão social constituem uma prioridade da actuação do Governo» e de muitas outras instituições e agentes sociais e económicos apostados na construção de uma sociedade mais coesa e justa.

O ministro do Trabalho e da Solidariedade afirma numa Portaria de Junho passado que «a pobreza e a exclusão social constituem uma intolerável situação de impedimento à participação na condição plena de cidadania».

Esta cidadania só poderá exercer-se quando houver «acesso ao trabalho, a residência numa habitação condigna e a pertença a uma comunidade valorizada, o acesso à saúde e ao bem-estar, à protecção social, à educação, a uma identidade social e pessoal positiva e à auto-estima». Este padrão de vida, é ainda utopia e por isso o desafio é maior ao Governo e à panóplia de órgãos públicos, responsáveis pela concretização daqueles objectivos.

A sociedade civil deve igualmente empenhar-se na construção de uma sociedade justa, onde não haja lugar para a exclusão.

As parcerias entre o Estado e os diversos movimentos e organizações vocacionados para a acção social ao serviço da solidariedade, podem e devem favorecer o Mercado Social de Emprego, que tem como grandes objectivos, combater o desemprego, a pobreza e a exclusão social e contribuir através das várias medidas e programas para a promoção da coesão social.


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