14 Jan 99 Terras da Beira
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Relançar o movimento associativo

 A direcção da Casa do Benfica na Guarda quer imprimir uma nova dinâmica por forma a cativar os sócios. Com as obras de remodelação da sede foi dado o primeiro passo. O próximo será a eleição para os corpos sociais, a ter lugar no próximo mês de Março, que provará se os sócios estão, ou não, com os actuais corpos sociais.

A direcção da Casa do Benfica na Guarda, filial número 42 do clube da Luz, quer acabar com um dos problemas que mais a afligem: a falta de adesão dos sócios. Para o efeito, a sede sita na Rua Comandante Salvador do Nascimento, e aberta há pouco mais de um ano, sofreu obras de conservação e remodelação com o objectivo de a tornar num espaço mais agradável. «Para que os sócios venham mais à casa é preciso que haja um serviço de bar adequado, para além da parte lúdica», argumenta o presidente da direcção, Carlos Fonseca. Um espaço pensado, também, para os reformados. Daí que o horário de funcionamento tenha sido alargado.

A falta de incentivo dos sócios é visível a outro nível, como seja a falta de pagamento das cotas. Na primeira assembleia geral da Casa, fundada em 94, ficou acordado que as mesmas seriam pagas semestralmente, no entanto, «ainda não foi encontrada uma pessoa para fazer a cobrança efectiva». Mas este facto, na opinião de Carlos Fonseca, não iliba os sócios. «Eles próprios podiam deslocar-se até à sede para procederem ao pagamento», afirma. Até porque as dívidas dos sócios para com a Casa do Benfica são superiores às dívidas da Casa do Benfica para com alguns elementos da direcção. As únicas que a Casa tem, nas palavras do seu presidente. Mas Carlos Fonseca está «convencido que com a nova dinâmica que estamos a imprimir à casa, somos capazes de ir recuperar grande parte dessa dívida».

Mas as queixas não partem só da direcção, os próprios sócios dizem haver falta de diálogo, assim como de assembleias gerais. A isso, Carlos Fonseca responde que vão ser convocadas eleições, a ter lugar no próximo mês de Março e cujo prazo para a entrega de listas termina este mês. E fundamenta este afastamento com o processo de mudança de instalações. Mudança essa que se deveu, principalmente, à renda que estavam a pagar. Cerca de 160 contos mensais. «Incomportável para a cotização e para os apoios que temos», afirma.

Carlos Fonseca ainda não pensou se vai recandidatar-se ao lugar mas é quase certo que o faça, até porque considera ter «obrigação de entregar à futura direcção uma casa com pernas para andar».

Falta de apoios

Os apoios são outro dos problemas desta filial do Sport Lisboa e Benfica, sobretudo no que refere à sua Escola de Atletismo. O presidente direcção considera que todas as associações de cariz sócio-cultural – como é o caso da Casa do Benfica – deviam ser mais apoiadas. «Com todos os problemas que existem em relação à juventude, o apoio na formação é fundamental», argumenta referindo o «menor apoio da AAG (Associação de Atletismo da Guarda) e das outras entidades». A Câmara Municipal é uma delas. «Temos apoios pontuais num ou noutra prova, mas nunca entrámos em nenhum orçamento como associação», lamenta o presidente.

Este descontentamento para com as entidades é bem visível nas conclusões apresentadas no relatório de actividades da época passada. Uma delas, refere que a «Câmara da Guarda continua a tratar os nossos jovens como enteados ou parentes pobres do sistema desportivo». Outra, fala do «desencanto quanto ao trabalho realizado, nos vários domínios, pela Associação de Atletismo, tendo em conta os celestiais objectivos propostos na «Bíblia» da Associação, vulgarmente conhecida por «Plano Estratégico para o Atletismo da Guarda, até ao ano 2000». Apesar do relatório desta época ainda não estar elaborado, a direcção garante que a situação pouco ou nada se alterou.

Outro dos lamentos que pode ser constatado no referido relatório, é a «não nomeação de atletas infantis para a festa do atletismo 97», organizada pela Câmara da Guarda, e a «aquisição de mais equipamento para os jovens sem, à partida, contarmos com apoios publicitários». No que diz respeito ao último, Carlos Fonseca afirma que as entidades utilizam critérios diferentes. «Para uns tudo, para outros nada». Daí que o documento fale da existência de «lobbys cuja finalidade é prejudicarem e/ou denegrirem a imagem da Escola de Atletismo da Casa do Benfica».

Outras entidades estão também no rol de acusações. «É possível que seja também por inércia da direcção, mas nós não gostaríamos de andar sempre na pedinchice», admite o presidente. E finaliza: «Não merecemos isso, nem a direcção que venha a seguir. Os resultados dados comprovam-no.»

Neste momento, segundo o relatório da Associação de Atletismo da Guarda de 98, a Escola de Atletismo, que movimenta 108 crianças nas classes de infantis e juvenis, foi a associação em que mais provas participou.

G.M


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