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Presumível bombista nega
relação
com o atentado do Fundão
O presumível autor do engenho
explosivo que causou a morte a uma funcionária na
passada sexta feira, na Escola do Fundão, foi
detido no sábado e aguarda julgamento no
Estabelecimento Prisional de Coimbra. Trata-se de
João António Ferreira, de 50 anos,
mecânico de profissão, e, ao que tudo
indica, terá agido por razões de ordem
pessoal.
A audiência no Tribunal da Covilhã decorreu
com a máxima descrição para evitar
quaisquer reacções por parte da
população. Durante as três horas que
durou o interrogatório, o suspeito negou sempre
qualquer relação com o atentado. A filha e
a mulher já demonstraram também alguma
estranhesa e acham mesmo impossível que tenha sido
João António Ferreira o autor do
rebentamento até porque, alegam, a vida familiar
decorria com normalidade e nos últimos dias
não se lhe conhecia comportamento estranho.
Opinião contraditória teve uma vizinha de
João Ferreira. Carla Machado diria publicamente
à televisão, no domingo, que o suspeito
revelava ultimamente um comportamento pouco normal.
Salientou ainda que nos dias que precederam ao atentado,
João Ferreira terá trabalhado sempre
até tarde e dias a fio. Curiosamente no dia da
explosão vestiu o seu melhor fato e assistiu aos
acontecimentos junto à escola.
A explosão causou a morte a Ana Maria Costa
Oliveira, uma funcionária de 32 anos que no
momento do rebentamento do engenho se encontrava à
entrada da secretaria. A vítima foi projectada
para o exterior e teve morte imediata. Com ferimentos
graves ficaram ainda Paula Miranda e Inês Mendes
que foram transportadas de imediato para o Hospital da
Universidade de Coimbra. As auxiliares de
educação foram submetidas a
intervenção cirúrgica e ainda se
encontram internadas não correndo, no entanto,
perigo de vida.
Guterres inaugura nova escola
Este caso abalou profundamente a pacata
cidade do Fundão e fez repensar a questão
da segurança nas escolas, uma questão algo
complicada, segundo terá dito ao DC Rui Santos, da
Direcção Regional de Educação
do Centro (DREC).
No caso concreto da Escola Básica do
Fundão, o director-adjunto da DREC admite que a
situação de mudança relacionada com
a sua desactivação pode ter suscitado
alguns problemas de vigilância, devido às
constantes entradas e saídas de pessoal estranho
à casa. A escola já tinha sido desactivada
e nas instalações apenas se encontravam a
funcionar o Conselho Directivo e o pessoal auxiliar.
O Ministro da Educação, Marçal
Grilo, que se deslocou ao Fundão algumas horas
depois do atentado, também se mostrou preocupado
com a questão da segurança e garantiu um
acordo do seu ministério com a
Administração Interna para reforçar
a vigilância nas escolas.
O Governo avançou ainda com uma
intenção de indemnizar as vítimas e
os seus familiares com apoios e subsídios
previstos por lei em casos semelhantes, não
excluindo a hipótese de uma
indemnização especial.
Marçal Grilo garantiu ainda que nada do ocorrido
irá alterar o calendário para a abertura
das aulas. A escola que vai ser substituída por um
edifício de construção recente
orçado em 600 mil contos e que o Primeiro
Ministro, António Guterres, prometeu inaugurar no
próximo dia 16.
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