12 Set 96   









 

 


Presumível bombista nega relação
com o atentado do Fundão

O presumível autor do engenho explosivo que causou a morte a uma funcionária na passada sexta feira, na Escola do Fundão, foi detido no sábado e aguarda julgamento no Estabelecimento Prisional de Coimbra. Trata-se de João António Ferreira, de 50 anos, mecânico de profissão, e, ao que tudo indica, terá agido por razões de ordem pessoal.
A audiência no Tribunal da Covilhã decorreu com a máxima descrição para evitar quaisquer reacções por parte da população. Durante as três horas que durou o interrogatório, o suspeito negou sempre qualquer relação com o atentado. A filha e a mulher já demonstraram também alguma estranhesa e acham mesmo impossível que tenha sido João António Ferreira o autor do rebentamento até porque, alegam, a vida familiar decorria com normalidade e nos últimos dias não se lhe conhecia comportamento estranho. Opinião contraditória teve uma vizinha de João Ferreira. Carla Machado diria publicamente à televisão, no domingo, que o suspeito revelava ultimamente um comportamento pouco normal. Salientou ainda que nos dias que precederam ao atentado, João Ferreira terá trabalhado sempre até tarde e dias a fio. Curiosamente no dia da explosão vestiu o seu melhor fato e assistiu aos acontecimentos junto à escola.
A explosão causou a morte a Ana Maria Costa Oliveira, uma funcionária de 32 anos que no momento do rebentamento do engenho se encontrava à entrada da secretaria. A vítima foi projectada para o exterior e teve morte imediata. Com ferimentos graves ficaram ainda Paula Miranda e Inês Mendes que foram transportadas de imediato para o Hospital da Universidade de Coimbra. As auxiliares de educação foram submetidas a intervenção cirúrgica e ainda se encontram internadas não correndo, no entanto, perigo de vida.

Guterres inaugura nova escola

Este caso abalou profundamente a pacata cidade do Fundão e fez repensar a questão da segurança nas escolas, uma questão algo complicada, segundo terá dito ao DC Rui Santos, da Direcção Regional de Educação do Centro (DREC).
No caso concreto da Escola Básica do Fundão, o director-adjunto da DREC admite que a situação de mudança relacionada com a sua desactivação pode ter suscitado alguns problemas de vigilância, devido às constantes entradas e saídas de pessoal estranho à casa. A escola já tinha sido desactivada e nas instalações apenas se encontravam a funcionar o Conselho Directivo e o pessoal auxiliar.
O Ministro da Educação, Marçal Grilo, que se deslocou ao Fundão algumas horas depois do atentado, também se mostrou preocupado com a questão da segurança e garantiu um acordo do seu ministério com a Administração Interna para reforçar a vigilância nas escolas.
O Governo avançou ainda com uma intenção de indemnizar as vítimas e os seus familiares com apoios e subsídios previstos por lei em casos semelhantes, não excluindo a hipótese de uma indemnização especial.
Marçal Grilo garantiu ainda que nada do ocorrido irá alterar o calendário para a abertura das aulas. A escola que vai ser substituída por um edifício de construção recente orçado em 600 mil contos e que o Primeiro Ministro, António Guterres, prometeu inaugurar no próximo dia 16.