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Feira de mel em Gouveia
Cerca de 40 produtores de mel participam,
este Domingo, na feira do mel de Gouveia, organizada pela
Associação de Apicultores do Parque Natural
da Serra da Estrela. Trata-se de um certame que envolve,
para além do PNSR, a autarquia gouveense e a
Associação de Desenvolvimento Rural da
Serra da Estrela - ADRUSE - que recorreu ao Leader II
para apoiar a realização.
A feira, que visa promover aquele produto genuíno,
é também uma forma de remar contra a
maré. A apicultura da região tem sido
fortemente ameaçada pelo mel importado de
países não comunitários, como a
Rússia, a China e a Argentina. O mel «chega
cá a preços muito mais baixos e nós
não podemos competir com eles», frisa Jorge
Costa, o presidente da Associação de
Apicultores. Segundo aquele responsável, o sector
comercial da apicultura na Serra da Estrela é o
que mais tem sofrido, uma vez que «o mel da China,
por exemplo, é vendido a 150 escudos o
quilo». Uma situação que se agrava com
a «falta de coordenação dos organismos
competentes», mas, por outro lado, «eles
também têm razão porque não
há nenhum cadastro, nenhum levantamento do que se
produz e do número de apicultores». Para
Jorge Costa é uma situação normal e
a importação justifica-se pela
ausência de dados concretos sobre a
produção de mel nacional. Factores que
levam a que o maior estrangulamento da apicultura na
região seja o escoamento do produto. Isto fica a
dever-se «ao elevado preço que os produtores
aplicam». Cada quilo de mel é pago entre 800
a 1200 escudos. Uma quantia que esbarra com o poder de
compra dos consumidores e «então elas
não olham para a qualidade mas sim para o
preço».
«O mel vende-se bem».
Apesar de tudo não é caso
para traçar um "quadro negro" da
produção de mel na Serra da Estrela. Como
diz o director da Associação, as feiras
têm sido um bom incentivo. «Aumentaram as
colmeias, o número de apicultores subiu cerca de
30 por cento desde o ano passado e o mel vende-se
bem», desdramatiza.
No aspecto sanitário, a única ameaça
está controlada. Actualmente os apiários
«estão isentos de Barroose», a
doença que há uns anos atrás dizimou
bastantes colmeias.
De resto, ainda falta a certificação do mel
da Serra da Estrela. A Associação de
Apicultores tem um rótulo legalizado, «que
garante a proveniência do mel», no entanto,
falta completar um estudo sobre a produção
para a legalização do produto. Porque a
certificação de origem «tem que ser
concedida por Bruxelas», sublinha Jorge Costa. Para
já, a Associação «só
garante a proveniência e não a
qualidade». Mesmo assim, o mel da região
«já ganhou duas medalhas de prata em Grenoble
e uma do mel artesanal em Lérida», recorda.
Quanto à 15ª edição da feira do
mel em Gouveia, esperam-se cerca de 1500 visitantes e a
organização prevê uma venda de mil a
mil e duzentos quilos de mel. Números que, a
comprovarem-se, «serão muito bons para a
região», refere Jorge Costa.
Os produtores poderão, no próximo Domingo,
tirar algum proveito da mostra e venda do genuíno.
O mel será premiado o mesmo acontecendo com os
visitantes que estarão habilitados a receber umas
garrafas de aguardente de mel e miniaturas de colmeias
que a Associação de Apicultores tem para
oferecer. Os apreciadores de mel terão a
oportunidade de provar o produto dos mais diversos
apiários no decorrer de duas provas.
Simultaneamente haverá animação
musical assegurada pela Banda de Gouveia e pela Escola de
Música de São Paio.
Paula Pinto
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