12 Set 96   









 

 


Feira de mel em Gouveia

Cerca de 40 produtores de mel participam, este Domingo, na feira do mel de Gouveia, organizada pela Associação de Apicultores do Parque Natural da Serra da Estrela. Trata-se de um certame que envolve, para além do PNSR, a autarquia gouveense e a Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela - ADRUSE - que recorreu ao Leader II para apoiar a realização.
A feira, que visa promover aquele produto genuíno, é também uma forma de remar contra a maré. A apicultura da região tem sido fortemente ameaçada pelo mel importado de países não comunitários, como a Rússia, a China e a Argentina. O mel «chega cá a preços muito mais baixos e nós não podemos competir com eles», frisa Jorge Costa, o presidente da Associação de Apicultores. Segundo aquele responsável, o sector comercial da apicultura na Serra da Estrela é o que mais tem sofrido, uma vez que «o mel da China, por exemplo, é vendido a 150 escudos o quilo». Uma situação que se agrava com a «falta de coordenação dos organismos competentes», mas, por outro lado, «eles também têm razão porque não há nenhum cadastro, nenhum levantamento do que se produz e do número de apicultores». Para Jorge Costa é uma situação normal e a importação justifica-se pela ausência de dados concretos sobre a produção de mel nacional. Factores que levam a que o maior estrangulamento da apicultura na região seja o escoamento do produto. Isto fica a dever-se «ao elevado preço que os produtores aplicam». Cada quilo de mel é pago entre 800 a 1200 escudos. Uma quantia que esbarra com o poder de compra dos consumidores e «então elas não olham para a qualidade mas sim para o preço».

«O mel vende-se bem».

Apesar de tudo não é caso para traçar um "quadro negro" da produção de mel na Serra da Estrela. Como diz o director da Associação, as feiras têm sido um bom incentivo. «Aumentaram as colmeias, o número de apicultores subiu cerca de 30 por cento desde o ano passado e o mel vende-se bem», desdramatiza.
No aspecto sanitário, a única ameaça está controlada. Actualmente os apiários «estão isentos de Barroose», a doença que há uns anos atrás dizimou bastantes colmeias.
De resto, ainda falta a certificação do mel da Serra da Estrela. A Associação de Apicultores tem um rótulo legalizado, «que garante a proveniência do mel», no entanto, falta completar um estudo sobre a produção para a legalização do produto. Porque a certificação de origem «tem que ser concedida por Bruxelas», sublinha Jorge Costa. Para já, a Associação «só garante a proveniência e não a qualidade». Mesmo assim, o mel da região «já ganhou duas medalhas de prata em Grenoble e uma do mel artesanal em Lérida», recorda.
Quanto à 15ª edição da feira do mel em Gouveia, esperam-se cerca de 1500 visitantes e a organização prevê uma venda de mil a mil e duzentos quilos de mel. Números que, a comprovarem-se, «serão muito bons para a região», refere Jorge Costa.
Os produtores poderão, no próximo Domingo, tirar algum proveito da mostra e venda do genuíno. O mel será premiado o mesmo acontecendo com os visitantes que estarão habilitados a receber umas garrafas de aguardente de mel e miniaturas de colmeias que a Associação de Apicultores tem para oferecer. Os apreciadores de mel terão a oportunidade de provar o produto dos mais diversos apiários no decorrer de duas provas. Simultaneamente haverá animação musical assegurada pela Banda de Gouveia e pela Escola de Música de São Paio.

Paula Pinto