12 Set 96   









 

 

Editorial

Escola! Regresso desejado
Virgílio Mendes Ardérius

Nos dias que vão seguir-se, veremos o regresso em massa às escolas, de todos os níveis. Com mais ou menos alegria, os jovens e as crianças aderem e aceitam o desafio que a Escola lhes lança. Verifica-se o envolvimento de toda a comunidade educativa, designadamente os Pais, os Professores, o Governo, através do Ministério da Educação. Multiplicam-se as reuniões de preparação, surgem as críticas às carências da Escola, e são muitas, por parte dos Sindicatos, surgem promessas de melhoria aos vários níveis. Continua a discutir-se a Escola que temos e que deveríamos ter. Ainda na semana passada ao participar em Évora no IV Congresso da Associação da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural e subordinado ao tema «Escola, Aprendizagem e Criatividade» se discutiram problemas da maior importância para o futuro da Escola e da sua finalidade.
Para além da polémica entre Escola Cultural e Área Escola, que é saudável discutir, para encontrar os melhores caminhos, é preciso fazer da Escola «um espaço de vida», atraente e lúdico, que favoreça e se torne facilitador de aprendizagens e do crescimento integral da pessoa humana.
Uma escola que promova uma saudável integração social, o desenvolvimento afectivo e cognitivo equilibrado e onde os autênticos valores possam ser cultivados e vividos.
Neste domínio os professores têm um papel fundamental. A «neutralidade» axiológica aproxima o perfil do professor de um «instrutor» ou «transmissor» de informações e de técnicas, mas não de um educador. O desenvolvimento da pessoa envolve intrinsecamente a comunicação de valores, mais através das atitudes e do estilo de relação interpessoal, do que através de «boas lições formais». Como dizia alguém, «não se ensinam os valores, transmitem-se e comunicam-se pelo exemplo da sua vivência». A autecticidade e o respeito pela personalidade dos alunos são factores fundametais da «comunicação» dos valores.
A escola deverá ser um espaço-tempo de desenvolvimento pessoal e comunitário onde, na expressão de Lord James, professores e alunos, «homens e mulheres, vivendo, conversando e aprendendo juntos, por meio da exploração comum das dificuldades e frequentemente de ideias originais, numa atmosfera de liberdade, podem crescer, não apenas em conhecimentos, mas também em felicidade».