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Editorial
Escola! Regresso desejado
Virgílio Mendes Ardérius
Nos dias que vão seguir-se,
veremos o regresso em massa às escolas, de todos
os níveis. Com mais ou menos alegria, os jovens e
as crianças aderem e aceitam o desafio que a
Escola lhes lança. Verifica-se o envolvimento de
toda a comunidade educativa, designadamente os Pais, os
Professores, o Governo, através do
Ministério da Educação.
Multiplicam-se as reuniões de
preparação, surgem as críticas
às carências da Escola, e são muitas,
por parte dos Sindicatos, surgem promessas de melhoria
aos vários níveis. Continua a discutir-se a
Escola que temos e que deveríamos ter. Ainda na
semana passada ao participar em Évora no IV
Congresso da Associação da
Educação Pluridimensional e da Escola
Cultural e subordinado ao tema «Escola, Aprendizagem
e Criatividade» se discutiram problemas da maior
importância para o futuro da Escola e da sua
finalidade.
Para além da polémica entre Escola Cultural
e Área Escola, que é saudável
discutir, para encontrar os melhores caminhos, é
preciso fazer da Escola «um espaço de
vida», atraente e lúdico, que favoreça
e se torne facilitador de aprendizagens e do crescimento
integral da pessoa humana.
Uma escola que promova uma saudável
integração social, o desenvolvimento
afectivo e cognitivo equilibrado e onde os
autênticos valores possam ser cultivados e vividos.
Neste domínio os professores têm um papel
fundamental. A «neutralidade» axiológica
aproxima o perfil do professor de um
«instrutor» ou «transmissor» de
informações e de técnicas, mas
não de um educador. O desenvolvimento da pessoa
envolve intrinsecamente a comunicação de
valores, mais através das atitudes e do estilo de
relação interpessoal, do que através
de «boas lições formais». Como
dizia alguém, «não se ensinam os
valores, transmitem-se e comunicam-se pelo exemplo da sua
vivência». A autecticidade e o respeito pela
personalidade dos alunos são factores fundametais
da «comunicação» dos valores.
A escola deverá ser um espaço-tempo de
desenvolvimento pessoal e comunitário onde, na
expressão de Lord James, professores e alunos,
«homens e mulheres, vivendo, conversando e
aprendendo juntos, por meio da exploração
comum das dificuldades e frequentemente de ideias
originais, numa atmosfera de liberdade, podem crescer,
não apenas em conhecimentos, mas também em
felicidade».
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