12 Set 96   









 

 


Guarda 1, U.Coimbra 0

O primeiro jogo da temporada no Municipal da Guarda foi de fraco valor técnico e muito incaracterístico. Raramente se viram lances com vários passes ou jogadas individuais de valor. A Desportiva foi a melhor equipa, ganhou e mereceu.

A equipa guardense foi a mais ofensiva, especialmente durante o primeiro tempo. Nesta altura do jogo teve momentos em que se superiorizou claramente ao adversário. Logo à passagem dos dez minutos, Futre faz bater uma bola na trave. Foi um remate esquinado do lado direito, já na área, mas de difícil execução. O mesmo jogador, cinco minutos depois, envia uma bola à barra, em sequência de um centro, também da ala direita, demonstrando uma elevação espantosa, já que foi rematar lá bem acima da concorrência, no segundo andar.
Ainda no primeiro tempo, Filipe aos 36 minutos marcou o golo. Foi num livre um pouco descaído para o lado esquerdo e a rondar a área. Executou bem, com o pé direito, tendo a sorte de a bola raspar num adversário da barreira e descolocar um pouco o guardião contrário. Foi, em todo o caso, bem marcado. Só já nos momentos finais do primeiro tempo é que Nando preocupou o último reduto da casa quando fez um remate de longe de uma boa posição e sem marcação. Mas que saiu ao lado da baliza de Mário.
Depois do intervalo deixou de haver quem dominasse a partida. O jogo era aos arrepelões, sem o comando claro de ninguém. Apenas Nando tentava organizar o jogo pelos forasteiros, enquanto os locais não tinham ninguém a pôr ordem no meio campo.
Logo aos trinta segundos o defesa direito guardense Tomané faz uma bola bater na trave e foi preciso deixar o jogo ultrapassar os 90 minutos para vermos outra jogada de situação eminente de golo, com Arroyo a isolar-se frente a Pedro. Rematou, mas o guarda-redes saiu bem e conseguiu enviar a bola para canto com os pés.
A técnica individual colocada ao serviço neste jogo foi da responsabilidade de Futre pela Desportiva da Guarda e de Nando por banda do União de Coimbra.

Organizar é difícil

O técnico da Guarda colocou no centro do terreno, a tentar transportar jogo defesa-ataque, o futebolista Miguel recem chegado de Lousada. Acabou por acusar a estreia não conseguindo os objectivos. Fundamentalmente foi Filipe, do lado esquerdo, e Faneca, do direito, a "encarrilar" jogo para a frente. Os defesas Tomané e Manuel estiveram melhor que no primeiro jogo. No entanto o defesa direito não recupera depois de apoiar o ataque. Em casa não é grande o problema porque os adversários têm na linha da frente menos gente, mas fora é diferente. Manuel ainda está longe da sua linha habitual de jogo, mas é um garante de eficácia.
Os centrais, Picaré, Zé Pedro e Else ainda não estão bem coordenados. Também há o problema da altura, falta alguém com estatura e forte para se impôr ali bem em frente ao guarda-redes. Na linha de ataque, Futre está a atravessar um bom momento de forma. A ajuda surgiu, neste caso, na parte final da partida com a entrada do espanhol Arroyo. Este atleta é possante, joga relativamente bem de costas para a baliza, faz passes com precisão e tem um bom jogo de cabeça. O lageosense Futre perdeu um par de oportunidades porque não acreditou que o seu novo companheiro ganhasse os lances, não correndo com precisão permitindo que as bolas se perdessem mansamente nas mãos do guardião Pedro.
Nesta estreia em casa, a Desportiva apresentou mais dois jogadores. O já mencionado Miguel e Anderson que veio do Louletano.

O árbitro dos equilíbrios

A equipa de arbitragem não teve qualquer influência no resultado. Os árbitros auxiliares estiveram muito atentos e quase sempre bem. O árbitro Francisco Vicente é que se perdeu a meio do segundo tempo, especialmente depois de ter mostrado o cartão vermelho a Lopes à passagem do quarto de hora. Fê-lo correctamente, mas depois tentou equilibrar. Seis minutos volvidos, aproveitou um lance mais complexo de bola dividida para mostrar o segundo amarelo a Miguel e consequente expulsão. Foi estranho,depois de tantos cartões mostrados, saber que aquele jogador estava já admoestado. É que, levantou o amarelo com uma mão e o vermelho com a outra sem consultar nada nem ninguém.

Ficha técnica:

Guarda: Mário, Tomané, Picaré, Zé Pedro, Manuel Rodrigues, Else(cap.), Filipe, Faneca(Arroyo 58'), Miguel, Catroni(Anderson 2ª pt.) e Futre(Cabral 92').
Suplentes não utilizados: Pedro Duarte e Nuno Rebelo
Treinador: Germano/Américo
Golos: Filipe(36')
Cartões amarelos: Miguel(8' e 66'), Zé Pedro(37'), Filipe(62') e Futre(64')
Cartão vermelho: Miguel(66' 2º amarelo)

U.Coimbra: Pedro, François, Zé Eduardo, Elisio, Pedro, Nuno Capitão, Nando(Cláudio 60'), Litos(Walter 21' e depois Luis Augusto 78'), Sá, Lopes e Dinis.
Suplentes não utilizados: Miguel e Luiz.
Treinador: Manuel José/Rogério
Cartões amarelos: Pedro(12'), Nando(28'), Walter(68') e Elisio(80')
Cartão vermelho: Lopes(60')

Resultado ao intervalo: 1-0
Tempo de jogo: 1ª parte(47'17") e 2ª parte(49'35")
Cantos: Guarda 10(3 na 1ª pt.) e U.Coimbra 2(2na 1ª pt.)
Equipa de arbitragem: Francisco Vocente(juiz), Armindo Pinto e José Vicente(árbitros assistentes) do CA de Vila Real

Os comentários

Germano Carvalho, da Desportiva da Guarda, era um homem satisfeito no final deste jogo.«É sempre difícil fazer o primeiro jogo em casa, mas os jogadores fizeram uma boa partida e mereceram a vitória».
Por outro lado, Manuel José, o treinador do União de Coimbra, estava conformado com o resultado: «o jogo foi bem disputado e quem marca é que ganha».

Os golos

Futre 2 golos
Filipe 1 «
Rui Ascensão1 «

Luis Santos