| 06 Mai 99 | ![]() |
|
Quiroprática na Guarda
Tal como a Claúdia, muitas outras pessoas, de vários pontos do país e até do estrangeiro, incluindo alguns atletas de alta competição, se deslocam à Guarda para ser consultado por António Felismino Alves, natural de Penalobo (Sabugal), conhecido por alguns como «endireita». Uma designação que o diplomado em quiroprática pela Life University, dos Estados Unidos, rejeita, embora admita que as pessoas o podem confundir porque toca nos ossos. «De certa maneira até sou um endireita mas tenho uma ciência por detrás daquela acto de ajustamento», sublinhou ao TB. A quiroprática é, como explicou à numerosa assistência que marcou presença na passada semana no Hotel Turismo da Guarda, «a única profissão de saúde que é uma ciência, uma arte e uma filosofia, que tem por objectivo favorecer o desenvolvimento e expressão natural da vida em cada pessoa». Na sua página oficial na Internet, António Felismino Alves, diz mesmo que «esta vertente das "artes da cura" utiliza os poderes naturais e inatos de recuperação do corpo humano para restaurar e manter a saúde e o bem estar, através da redução ou eliminação da subluxação ou interferência no sistema nervoso, principalmente na coluna vertebral, sem a utilização de medicamentos ou cirurgia». Tal como no campo da medicina, salienta, «injectar medicamentos ou engolir um comprimido não significa que algo esteja errado com a pele ou com o estômago, mas sirvam apenas de meras "vias" de acesso, também na quiroprática a via de acesso ao processo natural de cura do corpo é, principalmente, a coluna vertebral». Se bem que a quiroprática seja comparativamente às outras profissões, aquela com maior sucesso no alívio da dor de costas, «há certas doenças que aparentemente não estão relacionadas com a coluna vertebral mas que na realidade estão». O quiroprático dá como exemplo o facto de uma subluxação vertebral na quarta ou na quinta vértebra dorsal, poder «provocar distúrbios digestivos», tal como «certas formas de estados depressivos, poderão relacionados com uma subluxação na segunda vértebra cervical». Embora nos Estados Unidos da América a quiroprática esteja «oficialmente regulamentada», em Portugal, como salienta António Felismino Alves, a situação é completamente diferente. Actualmente, existem no país 14 quiropráticos, existindo uma associação que, na opinião daquele responsável, «mais tarde se tornará numa ordem». Quiroprática A quiroprática foi criada em 1895 por David Daniel Palmer, nos Estados Unidos da América. Tudo começou em 1878, quando Harvey Lillard, que se encontrava a trabalhar numa posição forçada, sentiu algo a estalar no seu pescoço. Uns dias mais tarde, ficou surdo. Em 18 de Setembro de 1895, Harvey contou a sua história ao doutor Daniel Palmer, que trabalhava no mesmo prédio onde a vítima era porteiro. Ao examinar a coluna vertebral do porteiro, Palmer encontrou um alto no sítio onde ele tinha sentido o estalido. Pensando que esse alto era provocado por uma das 24 vértebras que estava fora do seu sítio natural, o doutor convenceu Harvey em o deixar levar essa vértebra à sua posição original. Aplicando força nesse alto, ouviu-se outro estalido e o alto desapareceu. Uns dias mais tarde, Harvey recuperou a audição. Deste processo, viria a nascer a quiroprática. No entanto, a história dá conta que o trabalho da coluna remonta aos tempos mais longínquos. Certas gravuras encontradas em grutas, no Sul de França datando de 17500 Antes de Cristo, mostram que já eram utilizadas certas formas rudimentares de manipulação. Registos indicam que em 2700 A.C. os chineses usavam a manipulação como terapia. Em 1500 A.C. os gregos tratavam da dor de costas, usando movimentos especiais com as pernas. Desenhos mostrando manipulações para tratar doenças foram-nos deixados, por civilizações, como os Aztecas, os Toltecas, os Maias, os Oltecas e os Incas. Muitas das práticas antigas de cura já focavam a relação entre o bem estar físico e espiritual. Mas foi há mais de cem anos, que Daniel David Palmer, homem com um espírito de pesquisa e observação pouco vulgar, descobriu a relação entre as forças vitais, o sistema nervoso, as vértebras e a expressão da saúde. E concluiu que existe uma inteligência inata (o poder recuperativo e natural do corpo) que se esforça constantemente por manter o corpo organizado. Apercebeu-se igualmente que essa inteligência inata utiliza o sistema nervoso para juntar e transmitir a informação necessária, de maneira a assegurar a função correcta das várias partes do corpo. |