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Afinal o morto era outro!
Protagonista de um episódio que classifica de, no
mínimo, «inumano», Silvia Godinho decidiu avançar com um processo contra o Hospital
Sousa Martins, da Guarda, depois de uma funcionária lhe ter ligado para casa anunciando a
morte do seu marido que afinal... não estava morto. Transtornada e magoada com o
sucedido, Silvia Godinho, que já avisara os parentes no estrangeiro, garante que até
hoje «nem um pedido de desculpas» recebeu do Hospital.
«Com o sentimento das pessoas não se brinca».O desabafo
é de Silvia Godinho, uma dona de casa de 55 anos, natural e residente em Pinhel e
protagonista do episódio mais insólito e funesto da passada semana.
«O meu marido está muito mal, muito doente, mas até
hoje, tanto em Coimbra como em Pinhel foi sempre muito bem tratado». Silvia Godinho era
toda ela elogios para os serviços de saúde que até então haviam trato o seu marido.
Até que, na passada Sexta-feira, uma chamada telefónica mudaria para sempre a sua
opinião, pelo menos no que aos serviços de secretaria do Hospital Sousa Martins, da
Guarda, diz respeito. Eram cerca das 19.30 horas quando o telefone toca em casa de Silvia
Godinho. Do outro lado da linha, alguém se identifica como funcionária do Sousa Martins
e a informa de que o marido morrera há cerca de meia hora.
Completamente atordoada com a notícia e amparada por uma
irmã que a acompanhava em casa, Silvia Godinho, telefonou ao filho mais velho, para Vila
Franca das Naves, e à família espalhada pelos quatro cantos do mundo. Mas afinal tudo
não passou de um engano. Quando o filho de Silvia Godinho se dirige ao Hospital Sousa
Martins com a agência funerária e a respectiva urna para levantar o cadáver, verifica
que afinal não era o seu pai que tinha morrido. O erro crasso foi descoberto a tempo pela
médica que atendera António Júlio, o marido de Silvia Godinho. A médica terá então
dito que «não assinava a certidão de óbito pois a pessoa em questão estava viva e a
caminho do Centro de Saúde de Pinhel», após ter sido sujeito a uma transfusão
sanguínea autorizada pela esposa.
Magoada e transtornada, Silvia Godinho recebe a boa
notícia novamente em casa, mas já acompanhada por boa parte da família, toda ela em
luto. Os restantes familiares mais chegados, espalhados pelos Estados Unidos da América,
França e de norte a sul de Portugal «até já vinham a caminho», conta. «Não imagina
o transtorno que foi», garante, amargurada, Silvia Godinho. Ela própria faria depois os
telefonemas aos familiares desmentindo a notícia. Silvia Godinho engasga-se nas palavras
e emocionada repete: «Mas ele está muito mal». A António Júlio, 51 anos, foi-lhe
diagnosticado um cancro na próstata. Nos últimos meses o casal não tem parado «de
Pinhel de Coimbra, de Coimbra para a Guarda».
A esposa de António Júlio sente-se revoltada não só
porque o que lhe fizeram «foi inumano» mas também porque da parte do Hospital não
houve até agora nenhum pedido de desculpas. Por isso, quer que sejam apuradas as
responsabilidades.
Opinião diferente tem Reis Pereira, director clínico do
Hospital Sousa Martins, que refere «não haver garantias de que a chamada tenha sido
feita por um funcionário do Sousa Martins». É que, justifica, «já não seria a
primeira vez que, por exemplo, uma agência funerária, fazia uma confusão de óbitos»,
acabando por ser o Hospital a arcar com as culpas. Por isso, até que sejam devidamente
apurados os factos, o Sousa Martins não assume responsabilidades.
Susana Adaixo

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