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Editorial

Lições das Olimpíades
Virgílio Mendes Ardérius

Virgílio Mendes Ardérius

Terminaram no passado Domingo, em Sydney, as últimas olimpíades do século e do milénio. Foi extraordinário o grau de espectacularidade alcançado a até nós chegaram imagens extraordinárias da cerimónia de abertura, da participação dos atletas e sobretudo do encerramento emotivo e fantasioso.

Os jogos olímpicos tiveram a sua origem na Grécia antiga, realizados todos os quatro anos em Olímpia, em honra de Zeus ou Júpiter. Foram renovados , com objectivos puramente desportivos pelo barão Pierre de Coubertin, que abriu as Olimpíades de 1896, em Atenas, dizendo: «Os Jogos Olímpicos da era moderna representam a exaltação do atletismo masculino, tendo o internacionalismo por base, a lealdade por meio, a arte por moldura e os aplausos femininos por recompensa».

A partir de então um longo caminho foi percorrido. Não parou de aumentar o número de países participantes, o número de modalidades desportivas a até de atletas que ao longo de quatro anos não deixam de sonhar e lutar para ganhar o direito de participar nas Olimpíades.

Neste domínio quem mais evoluiu, lutou e mereceu foram as mulheres. Nos jogos de 1900 participaram 19 senhoras da alta burguesia, tendo Chattie Cooper e Margaret Abbot alcançado duas medalhas de ouro, nas disciplinas de ténis e golfe.

Passados cem anos, mais de quatro mil atletas femininos participaram nos Jogos Olímpicos de Sydney, com prestações extraordinárias e espírito invulgar.

Os seus testemunho revelam bem o pensamento olímpico. Na expressão de Fiona May, «o essencial no desporto não é vencer os adversários, mas sim executar o movimento perfeito», ou a afirmação de Alison Willianson, «aprendi o jogo da precisão, da paciência, do gesto puro. E compreendi que se tratava de um verdadeiro desporto», ou ainda de Cheryl Haworth, «as qualidades de uma halterofilista não residem na força mas na mente».

Os Jogos Olímpicos de Sydney foram mais uma lição de convívio e fraternidade universal, ultrapassando as diferenças de raça, cor ou língua, unindo os cinco continentes representados nas circunferências coloridas da bandeira das olimpíades.

Para muitos atletas o sonho tornou-se realidade, para muitos mais começa agora e já com os olhos postos em Atenas no ano de 2004.

A participação da representação portuguesa foi modesta mas não devemos crucificar os atletas e os seus treinadores. Foram o reflexo de país que somos. Já tivemos momentos de glória com alguns atletas, mas são excepções. Falta-nos uma preparação de base.

Apesar de a dimensão lúdica ser uma forte componente da nossa personalidade, não lhe é dada, pela escola e pela sociedade, a atenção e importância devidas.

É bom lembrar que o jogo é um factor didático importante e mais do que um passatempo, é elemento indispensável à expansão e desenvolvimento da personalidade infantil e juvenil.

Educar pelo jogo deve ser uma preocupação básica de todos aqueles que têm o encargo de dirigir e orientar crianças, adolescentes, jovens e até adultos.

Tem razão o ministro do Desporto, em Portugal, ao dizer em Sydney, que «vale a pena pensar-se a sério» na possibilidade de uma candidatura portuguesa à organização de Jogos Olímpicos.

Mas para isso é preciso dar mais importância ao desporto em todas as modalidades, fazendo-o chegar a todas as camadas infantis e juvenis, apoiando, depois, com meios eficazes os que revelarem maiores capacidades.

As medalhas virão por acréscimo!

 

 


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