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Concurso público fantasma
Foi lançado em período
pré-eleitoral mas, ao que parece, tudo não
passou de uma obra de «fachada». O troço
do IP2 Guarda-Benespera, um dos lanços
indispensáveis para a ligação
daquele itinerário ao IP5, viu o seu concurso
público ser publicado no início do
mês de Setembro do ano passado na imprensa nacional
e regional. Segundo o anúncio, as propostas
poderiam ser entregues até às 12 horas do
dia 17 de Janeiro de 1996 e a sua abertura deveria
ocorrer às 15 horas do dia seguinte. Mas nunca
mais se soube de nada. Fonte da Direcção de
Serviços Regionais de Estradas do Centro - (JAE),
com sede em Coimbra, confirmou ao TB que o concurso
público internacional no âmbito da
União Europeia não chegou sequer a ser
publicado em Diário da República. Maria do
Carmo Borges, a presidente em Exercício da
Câmara da Guarda, também não tem
dúvidas em afirmar que o concurso «não
foi verdadeiro» tal como a tão badalada A14,
que não passou de «uma pura
ilusão».
Falta agora saber os motivos que levaram o
Ministério das Obras Públicas, Transportes
e Comunicações a gastar dinheiro com a
publicação do anúncio de abertura de
concurso público internacional para a empreitada
de construção do sublanço do IP2
entre a Guarda e Benespera e os respectivos troços
de ligação a duas estradas, num total de 27
quilómetros. O que é certo é que foi
divulgado em período de pré-campanha
eleitoral. A construção daquele
troço, recorde-se, estava para ser feita em
três fases. As pontes sobre o rio do vale de
Teixeira e sobre a ribeira da Fonte Boa seriam
construídas na primeira fase; na segunda seria a
vez do sub-lanço Guarda/Benespera e, por
último, a construção do
sublanço Benespera/Belmonte.
Agora, ao que parece, este troço, bem como todo o
trajecto até Fratel, será adjudicado em
auto-estrada a concessionários privados. O
concurso, que deverá ser lançado ainda
antes do final do ano, recorrerá a um novo tipo de
financiamento, conhecido por «portagens
virtuais». Desta maneira, o Governo pretende fazer
face à falta de recursos económicos. Tal
como o TB já noticiou na anterior
edição, o Ministério das Obras
Públicas pagará a construção,
exploração e manutenção das
obras através de um montante que será a
quantidade de tráfego que utilizar essas vias a
definir. De salientar, no entanto, que os condutores nada
terão de pagar. A sua passagem será
registada através de contadores de tráfego.
E quanto mais trânsito essas estradas registarem
maiores lucros terão as empresas a que forem
concessionadas as obras.
Gustavo Brás
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