05 Set 96   









 

 

 

Editorial

Respeitar as crianças
Virgílio Ardérius

O caso belga deixou horrorizadas, no mundo inteiro, todas as pessoas retas e com o mínimo de sentimentos humanos. Crianças raptadas, exploradas sexualmente, mortas e enterradas em vala comum. Crime horrendo que deveria envergonhar toda a humanidade.
Providencialmente, precedeu a Conferência de Estocolmo sobre a exploração sexual de menores, onde se verificou que a pedofilia comercial se alastra a nível mundial. A própria palavra pedofilia perdeu o seu sentido nobre e rico para derivar para a devassidão.
Etimológicamente a palavra pedofilia derivado do grego significa amor, dedicação às crianças. A raiz da palavra, paidos, quer dizer criança, infância. O segundo elemento que compõe a palavra "filia" ou "fillein" significa amor.
Presentemente entrou no vocabulário para indicar a exploração sexual das crianças. O problema é mais grave e mais vasto do que se pensava.
Apesar da dificuldade em obter dados concretos sobre a indústria mundial do sexo infantil, devido à sua natureza obscura, clandestina e por vezes criminosa.
Em Estocolmo os números revelados são assustadores e comuns o povos pobres e povos ricos de ambos os hemisférios, indo do Brasil à Tailândia, da Inglaterra aos Estados Unidos da América.
A pedofilia está frequentemente associada aos fenómenos de rua, divórcio, violência familiar, desalojamento e desmembramento das famílias tradicionais.
É forçoso fazer acordar o mundo e despertar as consciências para o drama grave das crianças exploradas sexualmente. A conferência de Estocolmo poderá ser o ponto de arranque para a erradicação deste problema global, que concentra hoje as atenções e agita a opinião pública.
Cento e trinta estados signatários, comprometeram-se criar, até ao ano 2000, programas nacionais de combate a todas as formas de abuso sexual e desenvolver estruturas de apoio para a reabilitação psicossocial das crianças
afectadas. Por outro lado procurar uma terapia dos pedófilos e criar legislação adequada para combater aquele crime.
Temos de lutar pela positiva para criar condições para um desabrochar harmonioso da personalidade das crianças.
Nesta semana está a decorrer em Lisboa a VI Conferência Europeia sobre Qualidade na Educação da Infância e subordinada ao tema: "Desenvolvendo adultos, desenvolvendo crianças". Um bom enquadramento das instituições de educação pré-escolar com apoio conveniente nos seus diversos aspectos, poderá ser um óptimo caminho para um crescimento saudável e harmonioso. As crianças merecem tudo quanto de bom possamos fazer por elas.