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Editorial
Respeitar as
crianças
Virgílio Ardérius
O caso belga deixou horrorizadas, no
mundo inteiro, todas as pessoas retas e com o
mínimo de sentimentos humanos. Crianças
raptadas, exploradas sexualmente, mortas e enterradas em
vala comum. Crime horrendo que deveria envergonhar toda a
humanidade.
Providencialmente, precedeu a Conferência de
Estocolmo sobre a exploração sexual de
menores, onde se verificou que a pedofilia comercial se
alastra a nível mundial. A própria palavra
pedofilia perdeu o seu sentido nobre e rico para derivar
para a devassidão.
Etimológicamente a palavra pedofilia derivado do
grego significa amor, dedicação às
crianças. A raiz da palavra, paidos, quer dizer
criança, infância. O segundo elemento que
compõe a palavra "filia" ou
"fillein" significa amor.
Presentemente entrou no vocabulário para indicar a
exploração sexual das crianças. O
problema é mais grave e mais vasto do que se
pensava.
Apesar da dificuldade em obter dados concretos sobre a
indústria mundial do sexo infantil, devido
à sua natureza obscura, clandestina e por vezes
criminosa.
Em Estocolmo os números revelados são
assustadores e comuns o povos pobres e povos ricos de
ambos os hemisférios, indo do Brasil à
Tailândia, da Inglaterra aos Estados Unidos da
América.
A pedofilia está frequentemente associada aos
fenómenos de rua, divórcio, violência
familiar, desalojamento e desmembramento das
famílias tradicionais.
É forçoso fazer acordar o mundo e despertar
as consciências para o drama grave das
crianças exploradas sexualmente. A
conferência de Estocolmo poderá ser o ponto
de arranque para a erradicação deste
problema global, que concentra hoje as
atenções e agita a opinião
pública.
Cento e trinta estados signatários,
comprometeram-se criar, até ao ano 2000, programas
nacionais de combate a todas as formas de abuso sexual e
desenvolver estruturas de apoio para a
reabilitação psicossocial das
crianças
afectadas. Por outro lado procurar uma terapia dos
pedófilos e criar legislação
adequada para combater aquele crime.
Temos de lutar pela positiva para criar
condições para um desabrochar harmonioso da
personalidade das crianças.
Nesta semana está a decorrer em Lisboa a VI
Conferência Europeia sobre Qualidade na
Educação da Infância e subordinada ao
tema: "Desenvolvendo adultos, desenvolvendo
crianças". Um bom enquadramento das
instituições de educação
pré-escolar com apoio conveniente nos seus
diversos aspectos, poderá ser um óptimo
caminho para um crescimento saudável e harmonioso.
As crianças merecem tudo quanto de bom possamos
fazer por elas.
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