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Prudência na dança dos nomes por causa de Fernando Lopes
Quem que ser Governador?

FOTO Afastado por razões de saúde, Fernando Lopes vai ou não continuar no cargo de Governador Civil da Guarda? Uma incógnita que deverá ser desfeita dentro de dias. Não querendo alimentar «especulações», Fernando Cabral, líder da concelhia socialista da cidade, diz ao TB que o lugar não está ainda em aberto. Confrontado com o seu próprio nome, adiantou: «Não rejeito liminarmente essa possibilidade».

Victor Amaral

FOTO Quem vai ser o próximo Governador Civil da Guarda? Manter-se-á no cargo Fernando Lopes, entretanto afastado do cargo por razões de saúde? Estas são questões pertinentes da vida pública da Guarda, a poucos dias de serem nomeados os novos representantes do Governo em cada distrito. Enquanto não há certezas, vários nomes estão na baila, pelo menos nas "conversas de café". Um dos deles é Dias Rocha, presidente da câmara de Belmonte. O boato, neste caso, pode não passar disso mesmo. Questionado pelo TB, o autarca eleito pelo PSD, irónico, nega qualquer convite até ao momento dizendo que «em política nunca digas desta água não beberei». Conhecida a sua aproximação ao PS nas últimas eleições no distrito de Castelo Branco, há quem antes o veja como possível candidato à câmara da Covilhã.

Albino Leitão, ex-presidente socialista da câmara de Manteigas, é igualmente falado mas tudo «não passa de especulação», refere ao TB Fernando Cabral, presidente da Comissão Política Concelhia do PS da Guarda e membro do executivo da distrital.

Cabral entende que, para além de prematuro, falar do assunto «é melindroso» uma vez que o lugar «não está ainda em aberto». A dúvida que se coloca, também a este responsável do partido, é saber se Fernando Lopes, a recuperar de um acidente vascular cerebral, continua ou não no cargo. Prudência é o que se impõe, para já. Quanto a eventuais alternativas, Fernando Cabral entende que o PS da Guarda não deve pronunciar-se sobre perfis nem condicionar a escolha. Justifica que a nomeação do Governador Civil depende do ministro da Administração Interna.

Mas, perante a insistência, lá foi traçando o que considera serem as principais características do futuro inquilino do Governo Civil, agora com mais competências no âmbito da organização territorial do Estado proposta pelo programa do novo governo socialista.

Para Fernando Cabral, o Governado Civil «deve ser uma pessoa que esteja na Guarda, não quer dizer que seja natural, mas que faça aqui a sua vida, que sinta a Guarda, que conheça o distrito, os actores tanto políticos como económicos e sociais desta região». Além do mais, adianta que «não é importante se a pessoa é ou não militante do PS». Arrisca a dizer isto consciente de que «há outros camaradas que poderão ter uma opinião mais radical».

Cabral prevê, face aos novos desafios, que o Governador «deixará de ser uma figura protocolar e terá uma função de acompanhamento e coordenação de serviços desconcentrados da administração central no distrito». Acrescenta, então, que o escolhido «terá que ser uma pessoa com boa ligação aos presidentes de câmaras, que seja capaz de criar consensos e não rupturas e que tenha alguma capacidade de abertura ao nível da administração central, pois deve ser intérprete daquilo que são os anseios do distrito».

«Não rejeito essa possibilidade»

Fernando Cabral, que regressou à Guarda após uma curta assessoria a António José Seguro no Governo, sabe que o seu nome não escapa pelo menos ao boato. Enquanto responsável político não quer contribuir para «essa especulação» e em declarações ao TB esclarece : «Não fui contactado absolutamente por ninguém, nem por quem directamente têm a responsabilidade da nomeação nem por interpostas pessoas».

O presidente da Comissão Política Concelhia socialista diz que na política «não devemos falar sobre cenários mas sobre coisas concretas». Adianta, por isso, que «se a questão se puser, na altura certa ponderarei». Diz mais: «Não rejeito liminarmente essa possibilidade».

Refere que «as coisas têm que ser tratadas com muita calma» e recorreu às palavras do presidente da Federação Distrital do PS, António José Seguro, na última reunião: «Os lugares de nomeação a nível do distrito são da competência do Governo».

Nomes à parte, Fernando Cabral aponta para os benefícios e desafios da reforma da Administração regional do Estado. Em seu entender, a reformulação que está na calha vai exigir da estrutura do Governo Civil «grande capacidade de diálogo e concertação entre o que são as orientações a nível nacional e as necessidades de actuação no distrito».

Considera acima de tudo que «era importante que este passo fosse dado, uma vez que se verifica que muitas vezes os próprios responsáveis pelos serviços da administração central no distrito não se conhecem uns aos outros».

Cabral não prevê tarefa fácil para quem vier a ocupar o cargo e «podem criar-se alguns conflitos que serão saudáveis». «Ainda vivemos muito da mentalidade de cada um ter a sua Quinta, mas as pessoas terão que ir de encontro às novas orientações porque quem tem a ganhar são os cidadãos deste distrito».


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