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Escravatura, hoje
Ainda hoje nos indignamos ao recordar que Portugal praticou a escravatura, aliás, como outras nações da Europa, dita civilizada, vendendo os negros das suas colónias africanas para o Brasil. Parece que ficamos indiferentes perante o regresso da barbárie que alastra em vários povos do mundo onde de forma mais ou menos sofisticada se voltou à prática da escravatura. Li há dias, nem já sei em que país de África se praticava a escravatura e onde as pessoas mercantilizadas tinham de assinar um documento a reconhecer a sua condição de escravo, com todas as consequências dá provenientes. E o que se passa na Europa? O «Expresso» de 22 de Julho passado relatava o facto de jovens, muitas albanesas que são levadas para a prostituição em Itália. Depois de engravidadas são levadas para a Alemanha, para terem os filhos que lhe são retirados e vendidos. O governo italiano já reconheceu o problema alarmante e o primeiro-ministro quer tirar das ruas as prostitutas-escravas e as crianças obrigadas quotidianamente à escravidão e violência sexual. A ministra dos Assuntos Sociais tem uma proposta para criar cooperativas de prostitutas para melhor controlo sanitário, combater as organizações criminais e promover a solidariedade de instituições privadas e de famílias na procura de respostas mais humanas. E se passarmos para a imigração clandestina, o problema não é menor. Um ministro francês afirmava, recentemente, em Paris, num seminário sobre a imigração ilegal, que este será «um dos mais graves problemas europeus do século XXI». Em Portugal estiveram em debate no Parlamento alterações à lei da imigração com os votos contra do PCP e do Bloco de Esquerda. A Igreja Católica, através do presidente da Comissão Episcopal para as Migrações e Turismo, D. Januário Torgal, tomou posição e deixou a crítica à nova legislação dizendo: «deixamos entrar estrangeiros durante cinco anos para construir estádios para o europeu de 2004, mas depois de explorados pelos tubarões do capitalismo, damos-lhes um pontapé». Justificou as suas declarações defendendo que «a nova lei devia ter sido objecto de um debate profundo» e «como ninguém dá voz aos emigrantes, era preciso fazer justiça e manifestar solidariedade para com eles». É neste «mundo da selva» que nos encontramos. Assinar a carta universal dos Direitos Humanos não é suficiente. Requer um empenhamento sério e sistemático para encontrar respostas adequadas e dignas, para os milhentos problemas que afligem a humanidade. É preciso apostar no desenvolvimento sustentado dos cinco continentes. Perdoar as dívidas é importante e necessário, todavia, mais urgente é proporcionar-lhes meios para desenvolver as suas potencialidades. A Terra tem possibilidades para a humanidade encarar o futuro com esperança desde que haja equilíbrio, bom aproveitamento das suas riquezas e uma melhor distribuição das mesmas. O Comissário Europeu para a Justiça vai apresentar em Outubro ao Conselho e ao Parlamento Europeu a proposta de uma nova Política de Imigração na U.E. para os próximos 20 ou 30 anos, em que a prioridade será para o reagrupamento familiar. Pela importância do assunto a ele espero voltar.
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